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Uso de gordura na nutrição de bovinos

17Mar / 2016

Uso de gordura na nutrição de bovinos

A suplementação com gordura tornou-se prevalente principalmente em vacas de leite, com o intuito de aumentar a densidade energética da dieta de vacas de alta produção, a fim de diminuir os efeitos do balanço energético negativo no início da lactação (SUKHIJA; PALMQUIST, 1990). O uso de lipídios na alimentação de ruminantes ainda é restrito, haja vista os relatos de interferência do uso de lipídios livres no ambiente ruminal, como os realizados por Van Soest (1994) e Kozloski (2002), o autor ainda alerta que o rúmen é tolerante a presença de lipídios livres até o nível de 7% na dieta, sendo que níveis superiores a este podem causar alterações na fermentação ruminal, com possibilidades de prejudicar o desempenho dos animais. Além disso, relata que a inclusão de lipídios livres na dieta de ruminantes pode causar efeito tóxico sobre algumas bactérias ruminais, causando supressão das mesmas, como o caso de bactérias produtoras de metano (metanogênicas) e degradadoras de celulose (celulolíticas).

Nörnberg (2003) afirma que o interesse pelo uso de gorduras na alimentação de ruminantes vem sendo despertado pelo seu alto valor energético (2,25 vezes mais energética do que carboidratos), servindo como alternativa para aumentar a densidade calórica da dieta sem incorrer de efeitos da sobrecarga dos concentrados no rúmen, e complementa que, para isso, a fonte de gordura ideal para alimentação de ruminantes seria aquela que não interferisse nos parâmetros ruminais, mas que apresentasse alta digestibilidade, o que foi alcançado através das “gorduras protegidas”.

A gordura protegida tornou possível ultrapassar os limites que interferem no ambiente ruminal, já que os ácidos graxos poliinsaturados a partir da manipulação industrial ficam protegidos por sais de cálcio semelhante ao processo de saponificação das gorduras, permanecendo inertes ao ambiente ruminal, assim ao chegar a um ambiente com pH inferior a 5, como por exemplo no abomaso se dissociam, para serem absorvidos.

Segundo Vilela et. al (2002), o fornecimento de 700g/vaca/dia de gordura protegida na fase inicial de lactação, proporciona aumento na produção de leite ao longo de toda a lactação de vacas da raça Holandesa em pastagem de coast-cross, porém deve-se avaliar economicamente o custo/benefício. Já na bovinocultura de corte, o mercado atual de carne bovina exige carcaças de no mínimo 250 kg com espessura de gordura de cobertura de no mínimo 4mm independente da raça do animal, assim confinadores vêm utilizando da gordura protegida para acelerar a deposição de gordura na carcaça. Segundo Metz (2009), 20 bovinos, machos, castrados, puros Charolês e Nelore e suas cruzas com idade média de 20 meses, peso vivo médio de 260 kg, confinados por 126 dias, sendo distribuídos em 4 tratamentos, obtiveram bons resultados analisando a espessura de gordura subcutânea, e o tratamento que incluía 6% de sais de cálcio de ácidos graxos obteve uma média de 5,21mm contra 3,51mm dos demais tratamentos.

Contudo a utilização dos sais de cálcio de ácidos graxos torna-se viável em dietas de bovinos de leite e corte, claro, respeitando os níveis de inclusão, porém a análise econômica é essencial na tomada de decisão de utilizar ou não o produto.

Leandro Dias Pinto
Graduando em Zootecnia
FCAT – UNESP Dracena

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