Blog

Uso de aditivos alimentares alternativos ao ionóforos

14Ago / 2015

Uso de aditivos alimentares alternativos ao ionóforos

Em revisão de vários trabalhos publicados no Brasil, a alimentação nos sistemas de produção animal corresponde de 60 a 70% dos custos de produção, necessitando que esta tenha níveis adequados de nutrientes para explorar ao máximo a capacidade de desempenho do animal com uma alta lucratividade. Para garantir melhor balanceamento destes nutrientes e que estes sejam ingeridos, digeridos e absorvidos sem grandes perdas pela fermentação microbiana do rúmen, são incluídos nas rações aditivos alimentares, na grande maioria, não nutritivos.

Por causa da globalização, e a crescente preocupação do mercado consumidor nos últimos anos com a saúde humana, foram criadas determinadas regras para o uso destes aditivos na alimentação animal, e anualmente estas regras sofrem mudanças no sentido de restringir a utilização de alguns aditivos.

Em 1999, a União Europeia (UE) baseou-se no “princípio de precaução” banindo a utilização de antibióticos como promotores de crescimento (IPHARRAGUERRE, 2003); porém esta proibição do uso de ionóforos (monensina sódica e lasalocida) como aditivos alimentares nas rações de ruminantes somente ocorreu em 2006. Mesmo na ausência de dados científicos conclusivos que comprovem que estes aditivos deixam resíduos na carne, a UE adotou esta medida como “postura preventiva” (LOYOLA E PAILE, 2006), diferentemente do Brasil e Estados Unidos que adotam o “princípio da prova” baseando-se em evidências científicas.

Desta forma, a busca por compostos naturais alternativos aos ionóforos vêm de encontro com as necessidades do mercado nacional e internacional.

1. IONÓFOROS

Os ionóforos, entre eles a monensina sódica, nos últimos anos são provavelmente os aditivos mais pesquisados em dietas de ruminantes (SCHELLING, 1984). A monensina é um antibiótico produzido por cepas de Streptomyces cinnamonensis, cuja eficiência tem sido intensamente avaliada no que diz respeito a efeitos sobre os processos digestivos de ruminantes (ENSMINGER et al., 1990), como por exemplo: benefícios de diminuição de produção de metano, acidose, timpanismo, coccidiose, melhoria no desempenho do animal e melhor conversão alimentar.

2. ÓLEOS FUNCIONAIS

Os óleos funcionais são uma mistura de terpenóides aromáticos, líquidos e lipofílicos (KOHLERT et al., 2000) obtidos a partir de diferentes partes de plantas, como folhas, raízes e caule. Vários são os princípios ativos dos óleos funcionais, tais como o timol (extraído do tomilho), carvacrol (extraído do orégano), alina e alicina (extraído do alho), citrol e citronolol (extraídos de diversas plantas críticas), mentol (extraído da menta) e cinamaldeído (extraído da canela), os quais possuem comprovada atividade antimicrobiana, antioxidante, estimuladora de atividades enzimáticas e promotora de morfometria de órgãos. Além disso, os métodos de extração são de fácil operação (VELLUTI et al., 2003).

Alguns estudos que buscam encontrar resultados iguais ou superiores em parâmetros de desempenho animal substituindo os ionóforos por óleos funcionais, estão obtendo resultados satisfatórios e consistentes. (TABELA 1)

TABELA 1: Influência dos aditivos nas características de desempenho de bovinos. (SILVA, 2014)

Item2

Tratamentos1

 

M30

M40

MV

OF

EPM

P

Peso vivo inicial, kg

318,62

325,93

320,12

324,68

4,55

0,6205

Peso vivo final, kg

486,00

512,19

512,51

522,07

11,45

0,1565

IMS, kg

7,73b

8,52ab

7,80b

9,06a

0,31

0,0116

GPD, kg/dia

1,39

1,55

1,56

1,64

0,31

0,1264

CA, (kg MS/kg ganho)

5,62

5,54

5,05

5,57

0,19

0,1232

EA, (kg ganho/kg MS)

0,18

0,18

0,20

0,18

0,007

0,1042

a_b Médias seguidas de letras diferentes diferem (P<0,05), 1M30= Monensina 30 mg/kg MS, M40= Monensina 40 mg/kg MS (esta dosagem foi oferecida nos primeiros 14 dias de confinamento e depois diminui para 30 mg/kg MS), MV= Monensina 30 mg/kg MS + Virginiamicina 25 mg/kg MS), OF= Óleos funcionais 400 mg/kg MS, EPM= erro padrão médio. 2IMS= Ingestão de matéria seca, GPD= Ganho de peso diário, CA= Conversão alimentar, EA= Eficiência alimentar.

De acordo com os resultados mostrados na tabela acima, podemos constatar que bovinos alimentados com óleos funcionais apresentaram desempenho similar àqueles que receberam ionóforos monensina e virginiamicina. O desempenho similar pode estar ligado ao maior consumo de matéria seca apresentado pelos animais que consumiram óleos funcionais.

Wilson Inácio da Silva Filho
Graduando em Zootecnia
UNESP – Campus de Dracena

Comente:

Fundada em 1951, a COIMMA é hoje a maior fabricante de balanças e troncos da América Latina.Saiba Mais!