Blog

Estratégia nutricional para evitar a febre do leite

10Ago / 2015

Estratégia nutricional para evitar a febre do leite

Em grandes sistemas de produção leiteira é comum à ocorrência de problemas metabólicos em vacas pós-parto, sendo os mais recorrentes a febre do leite ou paresia puerperal, edemas no úbere, retenção de placenta, deslocamento de abomaso e mastite. Tais problemas podem ser associados a um manejo nutricional inadequado para as vacas secas, que em boa parte das propriedades, não recebem devida atenção.

A febre do leite é um problema que ganha destaque por acometer, principalmente, vacas de alta produção. Este problema está associado ao manejo incorreto no período pré-parto destas vacas, que passam por restrição alimentar, dietas desbalanceadas, alimentos de baixa qualidade, e que geralmente ficam alojadas em locais inadequados.

Segundo Oliveira et. al. (2006) a febre do leite é causada por uma hipocalcemia aguda, que acontece devido ao baixo consumo de cálcio, aumento da demanda deste mineral ou a incapacidade do animal em manter os níveis de cálcio no organismo. Essa deficiência irá ocorrer no período que antecede o parto, pois neste momento a demanda pelo mineral é muito alta para a produção de colostro e leite, e também há o deslocamento de cálcio do sangue da mãe para o desenvolvimento do feto, que se intensifica no terço final da gestação, onde acontece maior deposição do mineral na estrutura óssea do filhote.

Os sintomas da doença estão associados a uma rápida queda dos níveis séricos de Cálcio no pré-parto, acarretando em paresia, descoordenação, fraqueza e decúbito dos animais afetados (RODRIGUES, 2004). Além de ocasionar perdas na produtividade, o desempenho do animal é afetado, podendo haver redução de 14% do leite produzido na lactação e diminuir a vida útil do animal em três a quatro anos (OLIVEIRA et. al. 2006).

Para então evitar a febre do leite e consequentemente as perdas na produção, foram desenvolvidas estratégias nutricionais para vacas pré-parto. Entre elas está a utilização de dietas aniônicas, que tem como princípio induzir a predominância de cargas negativas na corrente sanguínea, o que irá estimular a mobilização de Cálcio (o que possuí duas cargas positivas) para ocorrer o balanceamento e assim restabelecer a homeostase. Este balanço é de grande influencia no pH do sangue, que determina os níveis séricos e regulação dos hormônios responsáveis pela homeostase de Cálcio.

Os principais cátions das dietas são o cálcio, o potássio, o magnésio e o sódio, enquanto que os principais ânions são o cloro, o fósforo e o enxofre. A adição de ânions a uma dieta de vacas pré-parto, irá induzir no animal, uma acidose metabólica que facilita a reabsorção óssea e a absorção intestinal de Cálcio (HORST et. al., 1997). Sabendo-se que o organismo tende sempre a manter a neutralidade elétrica e o pH, ao fornecer dietas aniônicas, iremos aumentar as concentrações intestinais de cloreto e sulfatos (CAVALIERI, 2002).

A homeostase de Cálcio no sangue é regulada pelo Paratormônio (PTH), pela Calcitocina e pela vitamina D3, e o nível adequado dele varia entre 8,8 a 10,4 mg/dl (GONZÁLES, 2006). Através de mecanismos fisiológicos, a homeostase evita a hipocalcemia. A mobilização de Cálcio para a corrente sanguínea é decorrente do aumento da atividade da vitamina D3 e PTH, isto ocorre através de um processo enzimático sensível ao pH, onde qualquer mudança no pH intracelular alteraria a atividade enzimática, então, o excedente de ânions favorece um pH intracelular que estimula a ação enzimática mobilizadora de Cálcio (GAYNOR, 1989).

O fornecimento de ânions na dieta pode ser através de sais aniônicos, como o Sulfato de Magnésio (MgSO4), Sulfato de Amônio [(NH4)2 SO4], Cloreto de Amônio(NH4Cl), entre outros; ou pela adição de alguns alimentos de BCAD negativo, tais como o grão de trigo, grão de sorgo, cevada e aveia (DEL CLARO et. al., 2002).

Portanto, o uso de dietas aniônicas nas últimas 3 semanas antes do parto faz com que haja grande estímulo para mobilização de Cálcio dos ossos; do qual a vaca tirará vantagem quando esta vier a parir, que é quando a exigência por Cálcio aumenta 5 vezes. A dieta aniônica além de diminuir distúrbios metabólicos da hipocalcemia, ela também refletirá em outras variáveis no sistema de produção leiteira, tais como: produção de leite, ingestão de matéria seca e otimização do crescimento (Tauriainen, 2001).

Portanto o uso de dietas aniônicas em vacas pré-parto de alta produção terá importância significativa não somente pela prevenção da febre do leite, mas também por melhorar os índices zootécnicos e evitar perdas na produção leiteira.

Alice Helena Peres
Graduando em Zootecnia
UNESP – Campus de Dracena

Comente:

Fundada em 1951, a COIMMA é hoje a maior fabricante de balanças e troncos da América Latina.Saiba Mais!