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Transporte de Bovinos Terminados

11Jul / 2014

Transporte de Bovinos Terminados

Para se obter um melhor rendimento de carcaça e um consequente aumento na produtividade do rebanho nacional, devemos ficar atentos a várias fases no processo de criação dos bovinos, para que haja diminuição de perdas causadas por lesões, mal manejo ou até mesmo equipamentos inadequados. Na Austrália, calcula-se uma perda de aproximadamente US$ 20 milhões ao ano (BRAGGION e SILVA, 2004), e no Brasil em um levantamento de lesões realizado durante a inspeção na linha de abate, foi constatada uma perda anual de US$ 11,3 milhões.

Uma etapa muito importante é o transporte desses animais até o frigorífico. É de suma importância que ocorra de maneira correta e que cumpra todos os métodos e técnicas mais indicadas.

O manejo e a distância percorrida durante o transporte está diretamente relacionado com o estresse dos animais e consequentemente com a queda do pH pós-abate. O pH é um dos principais indicadores da qualidade da carne, pois influencia a aparência dos cortes e sua qualidade como maciez, cor, sabor e odor (PEREIRA e LOPES, 2008).

Durante o transporte, o estresse é originado principalmente pelas privações de alimento e água, velocidade do ar e densidade de animais. As operações de embarque e desembarque dos animais, quando bem conduzidas, não irão produzir estresse excessivo (Tarrat & Kenny, 1992).

Em estudo realizado por Michele Braggion e Roberto Aguilar M. S. Silva (2004), com objetivo de quantificar as possíveis lesões relacionadas a vacinas, medicamentos e transporte encontrados nos bovinos ao chegarem ao frigorífico avaliando carcaças pós abate e sugerir algumas possíveis soluções preventivas de melhorias com a finalidade de minimizar essas perdas em bovinos terminados, foram observadas lesões nas seguintes porções das meias-carcaças bovinas (Fig. 1): 67 lesões na porção anterior (35,64%); 34 lesões na porção mediana (18,09%) e 87 lesões na porção posterior (46,28%).
 

Figura 1. Localização, número e porcentagem das lesões totais nas carcaças bovinas

As possíveis causas das lesões (Fig. 2) foram principalmente vacinas, com 84 ocorrências (44,68%); em sequência foi o transporte, com 59 ocorrências (31,38%) e outras causas (chifradas, coices, pisoteios, tombos, etc.) com 45 ocorrências (23,94%). O que mostra a importância de se fazer um transporte mais adequado podendo diminuir estas perdas.

Figura 2. Prováveis causas das lesões encontradas nas carcaças de bovinos

Alguns pontos que devemos nos atentar antes e durante o momento do transporte para alcançar os índices zootécnicos esperados são:

- Manter as instalações adequadas ao manejo dos animais, evitando extremidades pontiagudas que possam provocar lesões; 

- Mover silenciosamente os animais, evitando gritos e o uso de cães;

- Minimizar o uso de choques elétricos ou bastões na condução dos animais;

- Carregar o número apropriado de bovinos nos caminhões de transporte;

- Evitar a mistura de bovinos de tamanhos e idades diferentes antes do embarque ou no curral de espera do frigorífico;

- Aplicar medicamentos e vacinas nas regiões do corpo do animal recomendadas pelo fabricante;

Seguindo todos os passos de forma correta, conseguimos atingir um nível de bem- estar mais adequado para o animal, além de obter um maior rendimento de carcaça, o que irá gerar um aumento no lucro do produtor. Geralmente, as lesões na carcaça são descartadas pelo frigorífico fazendo com que haja uma queda no rendimento de carcaça e consequente diminuição na remuneração do produtor.

Ana Carolina Janssen Pinto
Gustavo Perina Bertoldi
Alunos de Graduação - Zootecnia
UNESP - Campus Dracena

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