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Suplementação para bovinos no período da seca

26Nov / 2014

Suplementação para bovinos no período da seca

A pecuária brasileira vem se modernizando dia após dia. Através de técnicos capacitados, aumenta-se a produtividade das propriedades, tornando a pecuária um negócio muito mais rentável e eficiente para o produtor. Este poderá investir cada vez mais em equipamentos e novas práticas. No Brasil, o sistema mais utilizado para criação de bovinos é o extensivo, no qual os animais estão sujeitos à escassez periódica de forragem (Gráfico 1), comprometendo seu desenvolvimento e sua eficiência reprodutiva (EMBRAPA, 2003).
 

Gráfico 1 - Estacionalidade de produção forrageira

Fonte: Coan Consultoria
 

Para reduzirmos essas perdas, principalmente nas épocas das secas, utilizamos a suplementação, que tem como objetivo suprir os nutrientes que estão em déficit nas pastagens, permitindo um menor tempo de abate (Gráfico 2), além de poder aumentar a taxa de lotação da área, melhorar o desempenho do animal, melhorar a qualidade da carne e auxiliar no manejo do pastejo (CORREIA, 2006).
 

Gráfico 2 - Adaptado de ALMEIDA e AZEVEDO (1996)

 

Em períodos de seca, vemos que a qualidade das forragens diminui muito comparando com a época das águas. Quando o teor de proteína bruta das forrageiras está abaixo de 7% na matéria seca, o primeiro objetivo do suplemento seria atender principalmente as bactérias ruminais por meio de fontes de nitrogênio. Estas bactérias utilizarão essas fontes nitrogenadas, juntamente com a energia extraída da forragem ingerida pelo animal, fazendo com que haja uma liberação de ácidos graxos de cadeia curta, que serão absorvidos pelas papilas ruminais que serão transformados em energia para o bovino.

O fornecimento de fontes de nitrogênio não proteico ou alimentos proteicos são estudados há muitos anos. A adoção de fontes de nitrogênio não proteica, como a ureia, associadas às misturas minerais, é a forma mais utilizada para eliminar a deficiência de proteína das pastagens, porém devemos lembrar que esta suplementação é direcionada aos microrganismos ruminais e não aos animais diretamente. A suplementação proteica permite eliminar as fases negativas do crescimento, por meio do ajuste metabólico ruminal, melhorando a digestibilidade da forragem de baixa qualidade desse período, minimizando os efeitos de enchimento que diminuem a ingestão total de matéria seca.

Um ponto fundamental no processo de suplementação é a disponibilidade de matéria seca ao longo do período de suplementação. É preciso garantir massa de forragem disponível para o consumo, por meio, por exemplo, do deferimento. Quanto mais uniforme a liberação de amônia (ureia) e a de carbono (digestão de carboidratos), maior vai ser a eficiência de síntese microbiana e, consequentemente, desempenho animal.

A necessidade da suplementação varia de acordo com a meta de cada propriedade rural, a quantidade e a qualidade da pastagem e do clima. Em geral, em sistemas de produção que priorizam a manutenção ou leves ganhos de peso, a suplementação pode ser feita por meio de sal proteinado, que favorecerá os microrganismos que atuarão sobre digestibilidade e consumo. Em sistemas que priorizam ganhos de pesos mais elevados, a suplementação se dá pelo fornecimento de dietas concentradas que irão favorecer tanto microrganismos quanto o animal, no qual será fornecido de 0,7 a 1,2% do peso vivo do animal. O custo dessa suplementação é mais elevado e a forma de implantação é mais elaborada, necessitando mais mão de obra e maior dedicação à prática.

Gustavo Perina Bertoldi
Aluno de graduação - Zootecnia
UNESP - Campus Dracena

 

 

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