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A produção do gás metano por bovinos pode influenciar significativamente no efeito estufa?

30Out / 2014

A produção do gás metano por bovinos pode influenciar significativamente no efeito estufa?

O efeito estufa é um problema atual que vem se agravando ano após ano. Este efeito é advindo da grande emissão de gases poluentes e constante desmatamento de áreas florestais. Os gases causadores do efeito são o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O). A principal fonte de emissão de CO2 são as queimas de combustíveis fósseis, enquanto que as atividades da agropecuária são as principais contribuintes da emissão global de CH4 e N2O (Wheeler et al., 2008).

Os animais ruminantes são vistos como os grandes vilões do efeito estufa, por serem considerados os principais emissores do gás metano. Este processo é denominado metanogênese, e, é decorrente da fermentação ruminal, que está relacionada ao consumo e digestibilidade dos alimentos (Rivera et al., 2010). O processo fermentativo é proveniente da microbiota ruminal, que é composta por bactérias, protozoários e fungos, que estão condicionados a um ambiente anaeróbico, e, é nesse ambiente que ocorre a degradação dos alimentos, produção de ácidos graxos de cadeia curta, produção de aminoácidos, proteínas e gases.

A produção de metano vem sendo uma das maiores barreiras mercadológicas para a carne brasileira, uma vez que o Brasil é o detentor do maior rebanho comercial de bovinos do mundo e utiliza na maior parte das vezes forrageiras tropicais para a alimentação destes animais (Pedreira et al.,2005). Alimentos volumosos geram maior fermentação (mais tempo dentro do rúmen), sendo assim, há uma maior produção de metano. Porém essa produção do gás pela agropecuária representa apenas de 15 a 20% das atividades antrópicas (Moss et al., 2000 citados por Martin, et al., 2008).

Visando uma diminuição da produção do CH4 estão sendo desenvolvidas estratégias nutricionais que reduzem a emissão do gás, o que trás benefícios não somente ao meio ambiente, mas também ao próprio animal (Martin et al, 2008). Com esse intuito, estão sendo incluídos alguns alimentos e aditivos na dieta destes animais, tais como a monensina sódica, própolis, óleos de canola, linhaça e girassol, leucena e leveduras, além de menor relação volumoso/concentrado (Beauchemin e Mcginn, 2006; Martin et al. 2008; Mcginn et al. 2004; Pedreira et al. 2004; Possenti et al. 2008).

Em estudos realizados por RIVERA et al. (2010) utilizou-se 30 ppm de monensina sódica na dieta de bovinos, e, verificou-se que a suplementação reduziu a relação acetato:propionato, resultando assim em menor perda de energia entérica, devido a menor taxa de reciclagem dos componentes líquidos e sólidos do rúmen e diminuição da motilidade. RIVERA et al. (2010) também constataram que o uso de lipídios nas dietas, tais como os óleos de canola, linhaça e girassol, é promissor por aumentar a eficiência do sistema de produção animal e reduzir os impactos ambientais provenientes da metanogênese.

Além de já ter sido constatado que os ruminantes são responsáveis apenas por cerca de 20% da emissão de gás metano, o que pode ser considerado relativamente pouco, cada vez mais são realizados estudos visando esta diminuição, que pode ser obtida principalmente por meio da manipulação das dietas como citado anteriormente. Tais modificações além de trazerem benefícios para o meio ambiente, também proporcionam melhor desempenho dos animais que irão ter melhor eficiência energética (deixarão de desviar energia para a produção de gás).
 

Alice Peres
Ana Carolina Janssen Pinto
Zootecnia Unesp
Campus Dracena

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