As raças sintéticas, conhecidas também como raças compostas ou novas raças, são obtidas pelo cruzamento entre as espécies Bos taurus e Bos indicus. O intuito desse cruzamento é a combinação da rusticidade com a produtividade e qualidade. Geralmente as raças sintéticas são compostas por 3/8 de zebuínos, onde encontramos basicamente a rusticidade, e 5/8 de raças taurinas que favorecem a produção em quantidade e qualidade de carne sem que haja maiores custos com alimentação e ambiente.
No Brasil, a primeira raça sintética formada foi o Canchim. Vindo inicialmente do cruzamento da raça Charolês com Indubrasil, o Canchim foi desenvolvido na fazenda Canchim, no município de São Carlos – SP pelo zootecnista Antônio Teixeira Vianna. A raça mais utilizada no Brasil é a Brangus, formada por 3/8 zebuínas e 5/8 da raça Aberdeen ou Red Angus, e alia fortemente a produtividade, precocidade e qualidade de carne das raças britânicas, somado com a adaptabilidade e rusticidade das raças zebuínas. Além das citadas anteriormente, outros exemplos de raças sintéticas são: a Braford, formada por 5/8 Hereford e 3/8 Zebu, a Purunã, sendo 1/4 Charolês, 1/4 Caracu, 1/4 Aberdeen Angus e 1/4 Canchim, e a Simbrasil, com 5/8 Simental e 3/8 Nelore.
Durante o processo de formação das raças sintéticas, faz-se um cruzamento entre raças, até que se obtenha o grau de sangue desejado, para que possam ser feitos os acasalamentos “inter se”, ou seja, acasalamento entre os animais de mesmo grau de sangue, e posteriormente, começa o processo de seleção. Os animais obtidos nos estágios finais de formação da raça, podem ser registrados como Puro Sintético (PS).
Quando levamos em conta nosso país e nosso sistema de produção, há uma impossibilidade de se criar gado puro de raça europeias, devido a isso tem-se buscado novos genótipos, parecidos com os animais europeus, os quais são adaptáveis ao nosso clima e apresentam uma boa produtividade, vindos de um melhoramento genético de vários anos, para assim, dar início ao processo de cruzamento de duas ou mais raças, por exemplo, Bos Taurus e Bos indicus, dessa forma resultando em um padrão de raça que pode ser chamado de raça sintética ou composta. A crescente busca pelo cruzamento de duas ou mais raças e pela complementaridade destas, reúne nos animais cruzados características desejáveis de ambas as raças, proporcionando um consequente aumento de heterose entre os animais, obtendo assim animais mais produtivos, rústicos, adaptados ao clima tropical, até mesmo uma certa resistência a infestações de ecto e endoparasitas. A tecnologia do cruzamento industrial vem sendo cada vez mais utilizada em diferentes regiões do Brasil com o objetivo de alcançar maior expressão produtiva em animais mais adaptados a ambientes hostis, buscando mais peso, comendo menos e sendo abatido em menor tempo. Atualmente a bateria da Alta Genetics conta com os melhores exemplares de touros das diferentes raças sintéticas, certificados pelo programa Concept Plus, auxiliando os produtores a alcançarem melhores resultados em rebanhos puros e cruzados.
No caso das fêmeas, por exemplo, filhas da primeira geração de um cruzamento entre um animal europeu e um zebuíno, terão como principais características, uma boa habilidade materna, maior fertilidade e precocidade sexual, melhor peso à desmama dos bezerros, melhor ganho de peso e precocidade de abate, isso devido exclusivamente a essa heterose, ou seja, um “choque” entre dois grupos genéticos distintos. Além de sua utilização em rebanhos puros, as raças sintéticas se tornam excelentes ferramentas indicadas para produtores que têm fêmeas de cruzamento Nelore/ Angus como matrizes e buscam produzir bezerros adaptados sem abrir mão da alta produção e qualidade de carne, desde que seja fornecido ambiente favorável para tal. Esse acasalamento é denominado Cruzamento Terminal, onde a produção de ambos os sexos é destinada para a terminação sem que haja a retenção e recria das fêmeas.
Referências:
ALENCAR, M. DE. Perspectivas para o melhoramento genético de bovinos de corte no Brasil. 41th Annual Meeting of the Brazilian Animal Science Society, p. 1–14, 2004.



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