Quarta técnica – Certificação KOSHER E HALAL: Você já ouviu falar?

Quarta técnica – Certificação KOSHER E HALAL: Você já ouviu falar?

Com o passar dos anos, o Brasil aumentou suas exportações de proteína animal de qualidade para o mundo e nesse mesmo cenário o abate humanitário, que é um conjunto de procedimentos técnicos e científicos que são guiados pelos princípios do bem-estar dos animais vem cada vez mais sendo implementado nos frigoríficos. 

Tal abate é fundamentado em colocar o animal em um estado de inconsciência que perdura até o fim da sangria, não causando sofrimento desnecessário para ele. 

Alguns países islâmicos que possuem parte de sua população de muçulmanos e judeus, consomem carne abatida apenas através de abates específicos e pré-estabelecidos por eles, que são os chamados abate Halal e Kosher/Kasher. 

O significado das palavras Halal e Kosher diferem entre si, porém ambas envolvem processos específicos no abate dos animais destinado ao consumo da população. 


 

Entenda mais sobre a alimentação Halal: 

Os alimentos Halal são produzidos de acordo com determinadas regras embasadas na orientação religiosa muçulmana que são orientadas pelo Alcorão. 

A orientação islâmica sobre a dieta determina que o consumidor verifique se o produto está em conformidade com as regras religiosas, já que para eles, o alimento pode influenciar a alma, o comportamento e a saúde física e moral do ser humano. 

Aquilo que está em conformidade, é lícito ou autorizado é denominado Halal. 

Portanto, o abate do bovino destinado a essa cultura deve obrigatoriamente ter sido sacrificado conforme os procedimentos e normas ditadas pelo Alcorão Sagrado e pela Jurisprudência Islâmica, mediante a comprovação da CIBAL Halal.

Sobre o  abate:

As normas dizem respeito à forma de abate, sendo que o ato somente pode ser realizado por um muçulmano que tenha atingido a puberdade e que durante o ato pronuncie o nome de Allah, com a face voltada para Meca, e que faça uma oração dizendo o nome de Allah (tal como a Bismillah Allah-u-Akbar). 

A faca deve estar bem afiada, visando o mínimo sofrimento do animal, além de outros fatores determinantes para que o processo seja efetivamente considerado Halal.

Quanto a certificação:

A certificação é necessária para garantir a população muçulmana de que determinado produto foi fabricado de acordo com os processos de origem Halal. 

Os procedimentos para a obtenção da certificação Halal iniciam-se com a solicitação formal junto ao órgão de certificação com emissão de contrato e, em seguida, uma avaliação inicial é documentada e normalmente a distância. 

Nesta fase serão solicitados alguns ensaios laboratoriais, como o de detecção de resíduos de origem suína nos produtos (considerados impróprios na cultura) para a definição de conformidade e autenticidade de produto. 

A primeira fase de auditorias é finalizada quando a certificadora encaminha a empresa interessada às não-conformidades encontradas até então. Resolvidas as não-conformidades, a certificadora estabelece um parecer quanto à decisão da certificação, sendo que é necessária a avaliação de um comitê religioso para que o processo seja deferido. 

Após o deferimento é efetivada a emissão do certificado, que tem período de validade de três anos, com monitoramento anual. (FREITAS,2017)

Alimentação Kosher:

Neste caso, o significado de Kosher está ligado a aquilo que é correto, que é justo e bom. 

Aplicado à alimentação refere-se a aquilo que está apropriado ao consumo, dentro de uma série de requisitos da lei judaica, o livro Torá. 

Portanto, os fundamentos se baseiam na crença judaica de que tudo no mundo possui corpo e alma, sendo que quando o homem ingere algo, ele se alimenta fisicamente e espiritualmente daquele produto. 

Assim, se o preparo e a constituição de determinado alimento não estão de acordo com os preceitos, o consumidor poderá se alimentar de algo que pode estar carregado por impurezas espirituais. 

Alguns dos princípios estão em não se misturar em uma mesma refeição produtos à base de carne e de leite (que não deve ser processado com mais de quatro horas de ordenha) assim como seus derivados. 

Quanto ao abate:

O abate do animal deve ser pelos meios mais gentis possíveis, sem tormenta, rapidamente por isto, a faca excessivamente afiada e o abate na garganta para não causar dor excessiva. 

A faca é denominada Chalaf, cujo comprimento é pelo menos o dobro do diâmetro do pescoço do animal. 

A Shechita (a incisão no animal) apenas pode ser executada por profissional altamente treinado, o Shochet, que estudou por vários anos os textos religiosos, os aspectos práticos e abate e inspeção, certificando-se e regularmente deve enviar sua faca para o rabino local para revista.

O trabalho do Shochet não se encerra com a morte do animal, devendo ele inspecionar a presença de treif para identificar possíveis animais doentes.

 

Em relação à certificação: 

É imprescindível haver uma Supervisão Rabínica, que é requerida para todos os alimentos processados, de modo que este possa atestar que o produto pode ser consumido em acordo com a lei judaica. 

O Certificado Kosher, mundialmente conhecido, é um documento emitido para atestar que o processo industrial de determinada empresa, em determinada linha de produção, obedece às normas específicas da dieta judaica ortodoxa.

As etapas para a certificação Kosher envolvem: 

1- Pesquisa documental de constituintes e matérias primas do produto em vistas de certificação;

2 - Obtenção de informações detalhadas de todo o processo de fabricação. Nesta fase, algumas análises laboratoriais de verificação de autenticidade, como detecção de resíduos de origem suína nos produtos, podem ser solicitadas. Após uma avaliação de documentos a distância, a visita de um rabino ortodoxo na planta de produção é determinante para a obtenção do certificado Kosher.

Os produtos com certificado Kosher são avaliados permanentemente, sendo que o certificado tem duração de um ano.

Após este período é possível uma renovação mediante nova auditoria de um rabino. (FREITAS, 2017)

 

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