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A importância da seleção genética intensificando a pecuária de corte

17Fev / 2016

A importância da seleção genética intensificando a pecuária de corte

É fato que a crise econômica brasileira está abalando todos os setores de produção, e isso está longe de ter um fim. Porém, independente de qualquer crise, é importante salientar o desenvolvimento da pecuária de corte brasileira nos últimos anos. “O maior exportador de carne bovina do mundo, detentor do maior rebanho comercial do mundo”.  Mesmo alguns dizendo totalmente o oposto, o atual diretor executivo da ABIEC Fernando Sampaio acredita que até 2020 podemos superar os Estados Unidos, no que diz respeito à atividade produtiva. (ABIEC,2015).

Isso se deve ao fato da implantação de tecnologia dentro do sistema, e uma delas que iremos tratar agora se encontra dentro dos principais pilares da pecuária: a genética.

Antigamente o produtor se baseava apenas no “olho” para selecionar seu rebanho e atualmente, há várias maneiras mais confiáveis e seguras de seleção, a fim de garantir um rebanho mais rentável, sustentável e lucrativo.

Inicialmente, o segredo é estabelecer um plano de melhoramento genético do rebanho de cada propriedade, pois existem variações ambientais de uma propriedade para outra que interferem no desempenho do mesmo para então identificar os melhores animais de acordo com algumas avaliações. Uma grande aliada do melhoramento genético no momento da seleção são as DEP’s (diferenças esperadas na progênie).

As DEP’s são avaliações que preveem a capacidade de transmissão de características de um animal para sua progênie, utilizadas para comparar animais dentro de uma raça quanto ao seu desempenho produtivo. As DEP’s são calculadas usando o pedigree, informações do individuo e progênie e podem ser encontradas em sumários dos touros selecionados. Algumas das principais características observadas são: ganho de peso, eficiência alimentar, precocidade reprodutiva, habilidade materna, características de carcaça, etc. (ABCCAN,2015)

Depois de identificados os melhores animais, os mesmos devem se reproduzir e para isso, existem inúmeras biotecnologias que auxiliam o produtor. Dentre elas as principais que podemos salientar são:

- Inseminação artificial em tempo fixo (IATF): estabelecimento de uma estação de monta com um acasalamento direcionado para cada fêmea fazendo com que a época de nascimento ocorra em uma época específica, além do aperfeiçoamento dos métodos de criopreservação do sêmen. (TORRES-JUNIOR et al., 2009)

- Fertilização “in vitro” (FIV): aspiração folicular intravaginal orientado por ultrassom que visa à recuperação dos oócitos para serem fertilizados “in vitro”. Hoje essa técnica se consagrou como um importante incremento dentro da pecuária Brasileira. Atualmente o Brasil é o maior produtor mundial de embriões bovinos oriundos de FIV (BEEFPOINT, 2012)

- Marcadores Moleculares: permite identificar o potencial genético de um animal antes da expressão do seu fenótipo através de leituras do DNA. Atualmente é considerada umas das técnicas mais modernas dentro do melhoramento genético. (REGINALO e COUTINHO, 2001).

Existem outras ferramentas associadas ou outras técnicas mais simples mas que são passiveis de intensificação, como a monta natural dirigida e inseminação artificial convencional, por exemplo. De qualquer maneira, o importante é não parar de evoluir, pois ainda é necessário muito trabalho para suprir a demanda do mercado que cresce desenfreadamente dia pós dia.

A maior rentabilidade da pecuária está na utilização dessas ferramentas que promovem um alto resultado imediato e com baixo custo. São totalmente perceptíveis animais mais homogêneos, precoces e com melhor rendimento de carcaça, principalmente se advindo de cruzamentos industriais (zebuínos x britânicos), outra técnica comumente utilizada a fim de melhorar a produção de carne.

Observe na tabela abaixo uma hipotética simulação de troca do consumo per capita de carne bovina Brasileira pela Chinesa:

 

 

DADOS REAIS

DADOS INVERTIDOS

 

BRASIL

CHINA

BRASIL

CHINA

População total (n/hab)

209.000.000

1.400.000.000

209.000.000

1.400.000.000

Consumo per capita de carne bovina (kg)

39,4

5,19

5,19

39,4

Consumo total de carne bovina (ton)

8.151.000

8.400.000

1.084.710

55.160.000

Soma dos consumos (ton)

16.551.000

56.244.710

PRODUÇÃO MUNDIAL DE CARNE BOVINA (TON): 58.000.000

Fonte: Beef point (2015); ABPA e ABIEC, (2015)

Pela tabela foi possível visualizar que a China consumiria quase toda a produção mundial de carne bovina, e que possivelmente o Brasil, por ser o maior exportador de carne bovina do mundo, seria quem mais supriria essa necessidade do mercado gerando muitos benefícios para os produtores, assim como para a economia do país como um todo.

Portanto, a utilização de técnicas englobadas dentro do melhoramento genético é um fator de grande importância para o avanço da pecuária de corte não só brasileira como mundial.

 

 

Laís de Aquino Tomaz
Graduanda em Zootecnia
FCAT – UNESP Dracena

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