Entrevista Flávia Roppa

01Jan / 2016

Entrevista Flávia Roppa


Flavia Roppa

Em uma agradável manhã de verão, o Diretor Executivo e CEO da Coimma, Paulo César Dancieri Filho, se reuniu com a idealizadora das revistas BeefWorld, PorkWorld e AveWorld e organizadora do maior evento sobre pecuária de corte da América Latina, o Beef Expo - Flávia Roppa.

O encontro aconteceu no restaurante Maní Manioca no Shopping Iguatemi, em São Paulo. Em um almoço informal, ambos conversaram sobre temas diversos. E esse bate-papo resultou na entrevista que o Blog da Coimma reproduz abaixo.

Enquanto esperavam os pratos – Flávia pediu um excelente Rib Eye, mostrando toda sua intimidade e conhecimento sobre o mundo da carne – conversaram sobre propósito de vida, das empresas, economia, segurança alimentar, política, etc.

Flávia, em primeiro lugar é uma apaixonada. Apaixonada pela vida, por seu filho, pelo trabalho e por tudo que ele proporciona à pecuária brasileira. Mas a simpática Flávia Roppa não é só isso. Já trabalhou nas áreas de Arquitetura, Marketing e Educação Física, antes de assumir a administração de uma granja de suínos que pertencia ao seu pai. Essa mudança de área (e de ares) proporcionou à Flávia uma visão sistêmica que é utilizada até hoje em tudo que ela faz.

Desde quando ela criou o site www.porkworld.com.br na virada deste século até a criação do Beef Expo, tudo o que a Flávia toca dá certo. É por esse motivo que, em fevereiro deste ano, ela recebeu o Troféu Empreendedora durante tradicional evento realizado no Dia de Campo Nelore do Golias.

Flávia Roppa diz que é uma pessoa realizada. “Adoro o que faço, mas quero seguir adiante. Consolidar um negócio que visa a Gestão e o Mercado no Agrobusiness. Oferecer uma visão diferenciada, profissional e consistente, que atinja o criador e a cadeia completa de produção de proteínas de origem animal, ajudando-os a alcançar eficiência, produtividade crescente e manter um negócio lucrativo e sustentável”.

Confira abaixo a entrevista que Flávia concedeu ao Blog da Coimma:

Blog Coimma: Flávia, analisando o formato da Beef Expo, nota-se uma significativa diferença entre este evento e todas as demais feiras agropecuárias. Antigamente, feira agropecuária era sinônimo de exposição de animais e produtos agropecuários com entretenimento (Shows, rodeios e diversão). Numa segunda fase, que parece ainda possuir resquícios, (caso da Agrishow, por exemplo), vivenciamos as feiras eminentemente de negócios, com horário comercial de funcionamento, onde se tinha por escopo o comércio de animais e produtos. Atualmente, nos parece que a Beef Expo consiste em uma feira de conhecimento. Podemos dizer que a Beef Expo representa um divisor de águas nos modelos de exposições agropecuárias do Brasil?

Flávia Roppa: Penso que sim, a BeefExpo veio para marcar um novo tipo de evento no Brasil e na América Latina também. Independentemente da qualidade de outros modelos já realizados e que ainda estão na agenda. E o escopo principal é, sim, o conteúdo científico, as palestras que compõem o Painel BeefManagement, que propiciam aos participantes contato direto com tudo o que há de mais moderno em mercado nacional e internacional, negócios, comercialização, câmbio, estratégias, reprodução, genética, sanidade, etc. Trazemos o futuro da Pecuária de Corte Produtiva para hoje, para o presente, para a atualidade da fazenda, da indústria e das empresas. É se aperfeiçoar hoje, produzir hoje, melhorar hoje, ter produtividade e lucros hoje. Outros grandes diferenciais, que também não são vistos nos outros encontros é mergulhar em Ciência assim num espaço lindo, moderno, com cinco centenas de animais, leilões presenciais e transmitidos, julgamentos, curso de carcaças, relacionamento e eventos ‘up to date’ da carne como churrascada e Dry Aged. Quer dizer, cada elo da cadeia num só lugar, ao mesmo tempo e na capital financeira do Brasil.

B.C.: Como você vê o cenário da pecuária brasileira para os próximos anos? Na sua opinião, qual a importância da tecnologia na produção da carne brasileira?

F.R.: Tecnologia é sinal de permanecer na atividade. Quem não se atualiza, não moderniza o sistema produtivo, não intensifica, já está atrasado na corrida. É bom mudar de atitude imediatamente. Todos os especialistas indicam que o pecuarista que não tem tecnologia atualmente vai sair do negócio e rápido. As margens da pecuária caem há mais de duas décadas. Mas se o criador tiver gestão na fazenda, usar pacotes tecnológicos, definir a estratégia e contar com boa equipe profissional e de consultoria, vai permanecer. E crescer. O mundo requer cada vez mais alimentos. E a carne bovina é um dos principais ingredientes deste cardápio da população mundial.

B.C.: Qual o peso que você atribui a um manejo eficiente no sucesso e rentabilidade da produção pecuária?

F.R.: Todo o peso do mundo. Manejar é trabalhar com todos os processos que envolvem o animal. E o animal é o produto que deve receber tratamento específico para tornar-se uma carcaça de qualidade e, na sequência da cadeia, o alimento ideal para o ser humano.

B.C: Embora pareça inacreditável, sabemos que ainda hoje a grande maioria das propriedades pecuárias brasileiras sequer possui balanças para pesar o gado. Como você encara essa realidade e saberia dizer o porquê? Você acha possível o pecuarista ter resultado econômico sem, sequer, pesar o seu rebanho?

F.R.: Veja, é verdade que o segmento conta com um número ainda gigantesco de produtores que não investem o mínimo em sua fazenda, nos seus animais.  Mas prefiro ver por um outro ângulo. O boi tem uma ligação profunda com nosso país, a conquista do território, a mesa de refeições, o churrasco da confraternização com amigos, colegas e familiares. Todo pecuarista ama o boi. Porém, precisa entender que a atividade hoje requer postura diferente. Não mais contemplativa. E sim de decisão, gestão, controle, planejamento, intensificação, investimento. Logo, temos um universo de desafios para ser desfrutado por empresas, profissionais, pesquisadores, estudantes, universidades que é maravilhoso. Quem assumir isto agora, vai sobreviver. Quem não comprar a balancinha, vai perder dinheiro, entregar terras, sair do negócio. E ponto final. Por mais triste que seja para estes apaixonados por este animal.

B.C.: De onde veio a sua paixão por animais? Teve alguma influência do seu pai na escolha da sua carreira?

F.R.: De onde veio a paixão, não sei. Mas amo bichos desde que me entendo por gente. Já tive de tudo em casa. Gato, porquinho, cachorro, etc. Gerenciei uma granja de suínos que pertencia a meu pai e só larguei porque acho que minha postura era mais de adoradora dos suínos do que administradora. Ficava em prantos só de imaginar que teria que sacrificar um leitãozinho. Certamente, estar ao lado do meu pai, que é Médico Veterinário, sempre ligado ao campo e à proteína animal, reforçou minha ligação com o Agronegócio. Mas demorei a entrar de cabeça. Tanto que antes passei por Arquitetura, Marketing, etc.

B.C: Você acha que nosso país, em termos gerais (político, econômico, social, educacional,  etc), está melhorando ou piorando? Como você vê nosso país, em termos gerais, daqui 5 anos?

F.R.: Esta questão me machuca tanto que vou procurar ser sucinta. Vivemos uma tragédia na Economia e na Política por absoluta incompetência e ganância de um grupo que comanda o Brasil desde o primeiro Governo Lula. Estou indignada com esta situação, não deixei de sair à rua em uma só passeata que pediu o impedimento da Dilma.  E te digo: ou o Brasil tira esta mulher da presidência e prende o Lula ou daqui cinco anos não teremos mais país algum.

B.C.: Como você relaciona o tema "Segurança Alimentar" e tecnologia na produção pecuária brasileira?

F.R.: De maneira direta, íntima e cada vez mais intrínsecos com a atividade. O pecuarista faz alimento, comida. Só vai estar na atividade se usar tecnologia. E só vai ter consumidores, clientes, se o alimento for saudável, sustentável, saboroso e diferenciado. Simples assim.

B.C.: Qual o seu maior sonho e propósito de vida? O que pretende deixar neste mundo para as próximas gerações?

F.R.: Eu trabalho da hora em que acordo até o momento em que vou dormir. E tenho um filho. Imagino que vou trabalhar até morrer, nem penso em ficar parada. Viajar sim, descansar sim, mas sempre de modo produtivo. E procuro educar meu filho no mesmo sentido. Energia, educação, trabalho, ética, felicidade, saúde. Cultuar a fé, a família, os amigos. E trabalhar. E ganhar dinheiro significa trabalhar muito, ralar bastante. Se isto ocorrer, eu e meu filho estaremos dando bons exemplos para as novas gerações e realizando nossos sonhos.

A Coimma estará presente na Beef Expo 2016 no estande PR36.

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