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Intoxicação por amônia em bovinos causada pela ingestão de ureia

09Dez / 2015

Intoxicação por amônia em bovinos causada pela ingestão de ureia

A intoxicação por ureia ou por amônia é um processo agudo de intoxicação como resultado do catabolismo de aminoácidos, ácidos nucléicos e de amônia endógena ou exógena da dieta (GONZALEZ e SILVA, 2006). Com a necessidade de pequenas propriedades serem mais produtivas e eficientes, com o baixo teor proteico de algumas pastagens, principalmente no período da seca, levaram à criação e especialização de suplementos proteicos e fertilizantes nitrogenados que completam os requerimentos nutricionais dos bovinos (KITAMURA, 2000; CORREA e CUELLAR, 2004).

Suplementos proteicos como a ureia, quando consumidos em grande quantidade, por animais não adaptados, ou até mesmo em dietas misturadas de forma errônea e não uniforme, podem levar vacas a terem problemas de infertilidade e principalmente ao quadro agudo de intoxicação, o qual faz com que o animal tenha seu desempenho prejudicado podendo chegar até a morte. Na realidade, a intoxicação nos ruminantes não é pela ureia alimentar, mas sim pela amônia gerada rapidamente por meio da fermentação ruminal (HALIBURTON e MORGAN, 1989).

Outros fatores que contribuem para a intoxicação são deficiência de carboidratos digestíveis na ração, baixa qualidade da forragem consumida e a debilidade orgânica do animal por fraqueza ou jejum (VILELA e SILVESTRE, 1984; HALIBURTON e MORGAN, 1989, ORTOLANI, 2000). Na maior parte dos casos, os sintomas se iniciam 20 a 30 minutos após a ingestão da ureia, porém, alguns animais apresentam sintomas em até uma hora (BARTLEY, 1976).

Os sintomas nervosos serão os mais notórios, entre os quais, os mais comuns são os tremores musculares e da pele, contração das orelhas, tetania, enrijecimento dos membros anteriores, ataxia, sudoração excessiva, prostração, espasmos violentos e convulsões (PAULA VILLAMIL RODRÍGUEZ, 2007). No nível respiratório, o animal fica com respiração acelerada, asfixia, edema pulmonar e colapso circulatório. Também ocorre congestão, degeneração dos rins e fígado, hemorragias pelo corpo, taquicardia (100-160 bat./min.), parada cardíaca e morte (HALIBURTON e MORGAN, 1989; RADOSTITS et al., 1995; GONZALEZ e SILVA, 2006).

Tratamento

O tratamento tem que ser imediato. Para isso, pode-se utilizar uma sonda oro esofágica para aliviar a compressão de gases por causa do timpanismo, tomando os devidos cuidados para evitar uma possível falsa via.

A água gelada em grandes quantidades (20-40 litros por animal) pode ser usada para reduzir a temperatura ruminal e diminuir a atividade da urease.

O uso de ácidos fracos (vinagre ou ácido acético 5%, 3 a 6 litros por animal adulto, a cada 6 ou 8 horas), além de baixar o pH, diminui a hidrólise da ureia e formam compostos com a amônia (acetato de amônia), reduzindo assim sua absorção. Estudos realizados por Bartley et al. (1976) demonstraram que o esvaziamento do rúmen através de abertura cirúrgica na fossa paralombar, inserindo líquido ruminal de vacas sadias, apresentaram melhores resultados comparado ao ácido acético em tratamento de casos experimentais de intoxicação por ureia.

Prevenção

 Para prevenir casos de intoxicação por ureia, algumas práticas viáveis, as quais, muitas vezes não se tem acréscimo no custo da produção de bovinos, é adoção de um esquema de adaptação gradual do animal à dietas com ureia, em que recomenda-se um período de adaptação de duas a quatro semanas, em função do nível e forma de fornecimento da ureia. Esta deverá ser gradativa de 0,1g/kg de peso vivo até que chegue ao consumo ideal indicado. O total de ureia não deve exceder 3% do concentrado ou 1% da matéria seca da ração. Animais que ficam mais de três dias sem receber ureia, devem passar por um novo período de adaptação, visto que a tolerância é perdida rapidamente pelo fígado (biossíntese de ureia a níveis desejados). Realizar uma mistura correta e homogênea da dieta fornecida para os bovinos pode evitar que o animal ingira uma quantidade de ureia além do que pode consumir, ajudando assim a prevenção de novos casos. Deve-se ter um controle sobre a aplicação de fertilizantes a base de ureia, a fim de evitar possíveis níveis de intoxicação em bovinos mantidos em pastagens.

Gustavo Perina Bertoldi
Leandro Dias Pinto
Graduandos em Zootecnia
FCAT – UNESP Dracena

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