Entrevista com Adriane Zart

03Out / 2018

Entrevista com Adriane Zart

A Médica Veterinária Adriane Zart, profissional reconhecida pela técnica de manejo “Nada nas Mãos” visitou a Coimma para um bate-papo e troca de experiências sobre pecuária e principalmente bem-estar animal.

Em sua visita, Adriane nos contou um pouco sobre sua carreira e como a lida com o gado de forma natural, respeitando os instintos do bovino, se tornou o seu propósito profissional.

Confira abaixo a entrevista completa da Adriane Zart para o Blog da Coimma.

Paulo Dancieri Filho - CEO Coimma, Adriane Zart, Gustavo Trivelin - Zootecnista Coimma e Edson Guimarães - Gestor Comercial BalPass Coimma

Adriane, hoje na pecuária é possível observar que o tradicionalismo no manejo dos animais é muito grande. Não faz muito tempo que os ferrões foram abolidos do manejo do curral, as bandeiras tomaram seu lugar, e pela prática que você está disseminando nem as bandeiras serão mais usadas. Esses instrumentos serão substituídos pelo contato do homem com o animal, esse que demanda esforço e dedicação do homem no aprendizado, já que os animais estudam o nosso comportamento muito mais do que sempre estudamos os deles. Como começou o seu trabalho de treinamento de manejo “Nada nas Mãos”? De onde surgiu a ideia?

O desejo de entender mais de comportamento do gado surgiu da minha frustração de não conseguir resolver problemas de manejos no curral. Muitas vezes eu via o gado inseguro, ansioso e assustado durante as interações com o ser humano. Cenas de peões e animais nervosos e sofrendo se tornaram frequentes no meu dia a dia e me fazia muito mal assistir aquilo sem conseguir fazer algo efetivo para ajudar. Eu que sempre gostei de estar no curral, estava simplesmente perdendo o prazer de fazer o meu trabalho. Foi então que eu conheci a técnica por meio do médico veterinário Paulo Loureiro. Quando eu vi o Dr. Paulo manejando gado pela primeira vez, fiquei encantada e tive a certeza de que era assim que eu queria trabalhar. Paulo é brasileiro, mas hoje mora nos Estados Unidos, ele aprendeu a técnica naturalmente, observando como o gado se comportava durante o trabalho que fazia. Quando ele foi morar nos Estados Unidos, encontrou outros dois veterinários, um americano e outro australiano, que trabalhavam de forma semelhante, e eles uniram conhecimentos e habilidades e criaram a técnica Nada nas Mãos. Em 2016 eu tive a oportunidade de ficar um período trabalhando com eles nos Estados Unidos e desde quando voltei para o Brasil, em junho 2016, estou trabalhando exclusivamente com manejo e bem-estar animal. 

Foto: fonte Adriane Zart

Quais são os impactos na produtividade da fazenda que você observa com a implantação da técnica “Nada nas Mãos”?

O principal impacto que observamos é a melhoria do ambiente dentro do curral. Nosso trabalho está diretamente ligado à lida com o gado e dentro do curral é onde estamos mais próximas desses animais. Então acredito que essa interação tem que ser boa, divertida, tanto para nós quando para o gado, caso contrário não tem o menor sentido o que estamos fazendo. Como consequência disso vem a melhora dos resultados produtivos, pois gado calmo e confiante performa melhor, tanto na parte reprodutiva quanto na engorda, além de ser mais fácil de se conduzir e identificar doenças. O cortisol elevado em situações de estresse interfere tanto nos hormônios reprodutivos quanto na imunidade do animal, afetando os resultados de prenhez, eficiência de resposta vacinal e combate a doenças, além dos impactos de lesões e hematomas ocasionados por contusões durante os trabalhos.

 

Seus clientes buscam a técnica com qual propósito a princípio? O de aumentar a produtividade e rendimento do trabalho ou o de melhorar o bem-estar animal com um manejo racional?

Acredito que a principal preocupação é de melhorar a qualidade do trabalho dentro do curral mesmo. Lembrando que a técnica é baseada no comportamento natural do gado, por isso que não usamos o termo racional, pois é a favor dos instintos do bovino.

 

Nós como fabricantes de troncos de contenção e equipamentos para o pecuarista, temos uma preocupação constante de bem-estar animal, durabilidade dos equipamentos, segurança dos colaboradores no manejo e rendimento das operações. Além disso, qual trabalho você acredita que ainda poderíamos implantar para tornar o manejo nas fazendas do Brasil mais racional?

Acredito que vocês devem incentivar um manejo de baixo estresse com os animais, deixando sempre claro ao produtor e manejadores que a forma como os animais são manejados lá atrás influencia na qualidade do trabalho de contenção no brete.

 

Quais são as principais barreiras para a conscientização do pecuarista do manejo racional e bem-estar animal?

A principal dificuldade ainda é fazer os proprietários, gerentes e veterinários entenderem que sucesso, harmonia e valores começam no topo. Episódios de manejo inapropriado acontecem quando manejadores não entendem como fazer a tarefa. É importante que o trabalho passe a ser medido pela qualidade e não velocidade com que o serviço é feito.

Foto: fonte Adriane Zart

Já vi em outras entrevistas suas que além da Personal PEC você atua em outras duas empresas. Como você concilia o trabalho entre elas?

Atualmente me dedico apenas a Personal PEC, trabalhando com sanidade, manejo e bem-estar de bovinos.

 

Quais são as atuais dificuldades e limitações do seu trabalho?

O principal desafio é que o trabalho com a técnica continue mesmo após mudanças na mão-de-obra

 

Qual o seu propósito de carreira como médica veterinária na agropecuária brasileira?

Minha missão é ajudar a tornar as interações entre homem e bovino positivas para ambos e com isso melhorar a vida do gado e das pessoas que trabalham no campo.

 

Qual o seu propósito de vida como Adriane?

Pergunta muito pessoal!! (risos) Mas acho que tem a ver com meu propósito profissional também...

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