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Dieta de milho grão inteiro para bovinos de corte em confinamento

09Jun / 2017

Dieta de milho grão inteiro para bovinos de corte em confinamento

No Brasil, o uso de dietas com alta proporção de concentrado vem sendo crescente com maior inclusão de grão em relação a fibra nas dietas de confinamento de bovinos de corte. Essa mudança tem como principal objetivo proporcionar maior eficiência e desempenho aos animais, e consequentemente, diminuir os dias de confinamento. Em levantamento realizado com nutricionistas de gado de corte, é possível notar a evolução no nível de inclusão de alimentos concentrados: em 2004 a inclusão média em dietas de terminação, com base na matéria seca total, era de 61% (Assocon, 2006), em 2009 passou para 71,2% (Millen et. al., 2009) e, recentemente, atingiu a média de 79% (Oliveira e Millen, 2014). O principal componente do custo da terminação em confinamento são os alimentos, em que excluindo os animais, os alimentos representam cerca de 70% do custo total (RESTLE e VAZ, 1999).

A utilização de milho grão inteiro na dieta de terminação é uma alternativa para eliminar a forragem da dieta. Essa dieta é composta basicamente por 85% de grãos de milho inteiros e 15% de um pellet que inclui vitaminas, minerais e aditivos. Devido a ausência de processamento, a taxa de passagem do milho é lenta assim como a fermentação do amido quando comparado ao milho moído ou grão úmido (BRITTON e STOCK, 1987), o que ameniza o aparecimento de disturbios metabólicos por produção excessiva de ácidos não desejáveis no rúmen.

Diferentes granulometrias dos grãos podem implicar em diferentes digestibilidades e ganhos de peso (Hale, 1973; Albro et al., 1993), sendo assim cabe ao produtor saber como utilizar esses diferentes processos levando-se em conta a região, disponibilidade, valor ou mesmo a disponibilidade de equipamentos para se ter melhor aproveitamento dos nutrientes. Como o milho e a soja são os principais componentes das dietas em confinamento, tem sido realizado muitos trabalhos a fim de se obter resposta quanto ao melhor processamento desses ingredientes. Em relação ao milho, sua digestibilidade é alta em bovinos, podendo chegar até 99% de digestibilidade (Waldo et al., 1971), sendo o amido seu principal componente energético, o qual representa 68% dos grãos.

Turgeon et al. (1983) concluíram que animais que foram alimentados com uma dieta tradicional de terminação em confinamento, com uma mistura de milho inteiro e milho moído fino ou quebrado, tiveram maior peso final e taxas de ganho mais rápidas do que animais que receberam a dieta do milho grão inteiro, indicando a necessidade do processamento dos grãos. Os autores observaram menor PV final, menor ganho de peso médio diário e menor ingestão de matéria seca na dieta com o milho grão inteiro, no entanto, a eficiência promovida por  essa dieta foi melhor do que a dieta de confinamento tradicional, já que o ganho de peso em relação ao consumo de alimento foi maior. Além disso, os autores também constataram que, a dieta com milho grão inteiro promoveu maior energia de ganho, o que torna o custo dessa dieta menor do que a convencional. (Fernando José Schalch Jr., artigo BeefPoint 05/06/2012, “Terminação de bovinos confinados com dieta de milho grão inteiro”).

A utilização da dieta de milho grão inteiro de forma eficiente, vai depender de vários fatores como, qualidade do milho, raça dos animais, peso de entrada, idade dos animais, homogeneidade da mistura, adaptação dos animais à dieta, e principalmente o preço do milho, o qual vai representar grande parcela no custo da dieta, sendo que o lucro está totalmente ligado ao custo da arroba engordada.

Assim sendo, a dieta com milho grão inteiro, sem o uso de volumoso, pode ser viável em algumas situações, mas não substitui a dieta tradicional comumente utilizadas em confinamentos de bovinos de corte no Brasil.

Carlos Henrique Garcia Soares

Graduando em Zootecnia

FCAT - Unesp Dracena

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