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O comportamento ingestivo e a seletividade da dieta de animais confinados

26Jan / 2016

O comportamento ingestivo e a seletividade da dieta de animais confinados

O comportamento:

A etologia animal, ou seja, o estudo do comportamento animal assume papel importante dentro da produção, uma vez que, para racionalizar os métodos de criação tem-se desenvolvido técnicas de manejo, alimentação e instalações que interferem e também dependem da observação do comportamento (Carvalhal et al., 2011).

Segundo Albright (1993), o estudo do comportamento ingestivo dos ruminantes tem sido usado com os objetivos de: 1) estudar os efeitos do arraçoamento ou quantidade e qualidade nutritiva de forragens sobre o comportamento ingestivo; 2) estabelecer a relação entre comportamento ingestivo e consumo voluntário; e 3) verificar o uso potencial do conhecimento do comportamento ingestivo para melhorar o desempenho animal.

Muitos pesquisadores vêm realizando estudos no esforço de confirmar a hipótese de que os animais conseguem fazer escolhas alimentares que melhor atendam as necessidades metabólicas ou fisiológicas. Tais escolhas não teriam como base apenas as exigências nutricionais, como se acreditava, mas também o que o animal julga ser melhor para seu próprio organismo, sob o aspecto de mantê-lo em conforto ou desconforto mínimo (Ferreira, 2003).

Estudos de alimentação animal mostram que os animais podem reconhecer o valor energético dos alimentos e podem avaliar o custo energético de obter o alimento. Tendo escolha, os animais usualmente preferem continuar comendo aqueles alimentos com que já estão acostumados (Mariani, 2010).

Assim, o estudo do comportamento dos bovinos é uma ferramenta eficaz na definição de estratégias adequadas de manejo, quer para oferecer os alimentos ou os cuidados sanitários para manter os animais em boas condições, quer para a definição do tamanho e composição dos lotes ou do espaço disponível para eles.

A seletividade:

Todos os bovinos possuem a superfície da língua grossa e cornificada na porção anterior e fina na face inferior. A distribuição dos botões gustativos, que são responsáveis pela percepção do sabor nessa espécie animal, não está na mesma proporção das papilas gustativas, podendo existir mais de um botão gustativo por papila circunvalada.

Nos bovinos, o número de papilas circunvaladas gira em torno de 8,0 para cada lado da língua. Segundo Berchielli et al. (2006) essa característica anatômica, comparada com outros ruminantes, parece conferir aos bovinos a seleção primária do alimento por meio da gustação e, em outros ruminantes, essa seleção primária é realizada pelo olfato.

Um animal mudará sua seleção de ingredientes da dieta se uma mudança fisiológica, como o estado ruminal alterado, for de magnitude suficiente para ser detectado pelo animal (KYRIAZAKIS., 1999). Atwood et al., (2001) relataram que os animais variam em suas preferências alimentares e suas preferências podem mudar com o passar do tempo. Ainda, animais denominados selecionadores podem aprender diminuir o tamanho das refeições ou a quantidade ingerida para evitar o desconforto da indigestão.

Com isso, o uso de dietas com maior teor de concentrados em confinamentos requer que tanto a formulação das dietas como também o manejo alimentar sejam observados com grande atenção, pois além de reduzir a seleção de ingredientes da dieta pelos animais também pode diminuir os riscos de distúrbios metabólicos.

Sendo assim, torna-se necessário ferramentas que permitam pequenos ajustes ao longo do período de confinamento para que se possa explorar o máximo potencial produtivo de animais confinados e minimizar problemas ligados à saúde ruminal, pois bovinos confinados que passaram ou atravessam quadros de acidose clínica ou subclínica, irão apresentar maior atividade de seleção em favor dos ingredientes volumosos em relação aos concentrados da dieta, e ainda manter-se neste tipo de seleção por período de tempo maior (RONCHESEL, 2012).

Anderson Augusto dos Santos
Graduando em Zootecnia
FCAT - Unesp Dracena

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