Bem-estar animal e agregação de valor

06Nov / 2015

Bem-estar animal e agregação de valor

Uma matéria sobre bem-estar animal publicada na Revista Nelore na edição de outubro de 2015, escrita pela pesquisadora da Embrapa Gado de Corte Fabiana Villa Alves, descreve o que realmente quer dizer o bem-estar animal e mostra a importância que as 5 liberdades tem para a qualidade do produto final e ainda revela como o sistema ILPF (Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta) pode aumentar a produtividade.

Primeiramente devemos entender qual a definição de bem-estar animal: segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) é a forma como o animal lida com o seu entorno, e aqui estão incluídos sentimentos e comportamento. A pesquisadora acrescenta que para animais de produção, existem boas condições de bem-estar quando são atendidas as “cinco liberdades”, que procuram incorporar e relacionar padrões mínimos de qualidade de vida para os animais, como: I) livres de fome, sede e má nutrição; II) livres de dor, lesão e doença; III) livres de medo e angústia; IV) livres de desconforto; e V) livres para manifestar o padrão comportamental da espécie.

A aplicação dos princípios das “cinco liberdades” possibilitou saltos qualitativos em relação aos sistemas de criação, com adequações do espaço mínimo disponível por animal, fornecimento de dietas balanceadas e disponibilidade de sombra em sistemas extensivos; ao transporte com embarque sem estresse e em veículos apropriados, determinação de tempo e distância máximos, sem interrupção, até o abatedouro; e ao abate, sem sofrimento, com atordoamento eficaz.

O bem-estar animal é cada vez mais importante para os produtores, uma vez que com ela é possível atender os mercados mais exigentes, que são muito interessados na chamada “grass-fed beef” (carne produzida sobre pastagens), em que é condição vital transformar o intangível (bem-estar animal) em algo tangível (qualidade final do produto), que é aquilo que os consumidores desejam: carne de qualidade.

Contudo, principalmente em regiões tropicais, deve-se cuidar para que o animal não sofra com a radiação solar. Um nível muito alto de incidência solar pode empobrecer o bem-estar animal e gerando prejuízos ao desempenho.

De fato, segundo a pesquisa, animais submetidos ao estresse por calor diminuem o consumo de forragem e aumentam o de água, elevam a frequência respiratória, batimentos cardíacos e taxa de sudação, tornam-se irrequietos ou ficam deitados por longos períodos, entre outros sintomas.

Uma das formas de se diminuir o estresse por calor é utilizar o sistema de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que além de possibilitar a recuperação de áreas e pastagens degradadas, proporcionam benefícios diretos e indiretos aos animais, como o fornecimento de sombra e melhoria nas condições microclimáticas e ambientais.

Pesquisas conduzidas pela Embrapa demonstram que segundo o tipo de árvore (nativa ou exótica) e o arranjo utilizado (linha simples, dupla ou tripla) tem-se diminuição de 2°C a 8°C na temperatura ambiente dos sistemas ILPF, em relação a pastagens sem árvores. Como resultados diretos do conforto térmico oferecido melhoram-se os índices produtivos (ganho de peso, produção de leite) e reprodutivos (menor incidência de abortos, aumento nos índices de fertilidade, maior peso ao nascer).

Portanto, o bem-estar animal - junto a temas como responsabilidade ambiental, sustentabilidade, segurança alimentar e biodiversidade - ganha destaque, e deixa de ocupar um espaço “filosófico”, embasado na ética pessoal, para se tornar aspecto prático, quantificável e aplicável, passível de ser valorado.

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