A construção de um curral é uma tarefa trabalhosa, porém é extremamente fundamental para manejar bovinos. O curral tem a função de facilitar o manejo e torná-lo mais seguro, tanto para os animais quanto para o pessoal que o realiza. Dessa maneira, podemos dizer que os currais são ambientes que merecem cuidados e atenção especiais para sua construção, de forma que os animais se sintam confortáveis e calmos.
Quando observado o comportamento bovino em manejos, nota-se a movimentação do rebanho em círculos, tendendo retornar ao seu ponto de origem. Currais convencionais são normalmente construídos formando cantos, de forma que os animais não possam expressar tal comportamento, sentindo-se encurralados e apresentando sinais de estresse.
Animais estressados, movimentam-se de maneira desordenada e caótica, aumentando a probabilidade de ocorrerem acidentes que podem trazer múltiplos danos, seja para o rebanho ou para os funcionários, gerando assim prejuízos para a fazenda de maneira geral. Currais não planejados, além de dificultar o manejo, perdem a funcionalidade, além do mais, estresse em manejo faz que o animal demore de 3 a 5 dias para voltar seu consumo normal de alimento, tendo redução do sistema imunológico, perda de peso, e em caso de manejo pré-abate perda de qualidade da carcaça, o que gera grande prejuízo na atividade pecuária.
Para que os problemas citados pudessem ser contornados, Temple Grandin, psicóloga e zootecnista norte americana especializada em comportamento animal, desenvolveu o curral antiestresse. Possui formato inteligente e de extrema funcionalidade, sendo a seringa em formato de lua para que fosse respeitado o movimento natural dos animais, que é a movimentação circular, permitindo que expressem seu comportamento natural e tenham a impressão de retornar ao mesmo lugar, acalmando-os.
Esse tipo de curral proporciona outros benefícios ao rebanho e aos funcionários, as paredes contínuas formam um corredor que permite que os animais se direcionem de maneira ordenada, sem distrações e sem que se assustem com fatores externos. Formado por curvas, o corredor não permite que o animal enxergue além de poucos metros à frente, reduzindo a ansiedade no manejo.
Porteiras restringem o espaço ocupado pelo gado, sendo dispensado o uso de bastões de choque ou espetos, responsáveis por causar dor e pânico nos animais. O piso no ambiente de manejo é antiderrapante, evitando quedas, e consequentemente acidentes e hematomas.
No geral, é possível pontuar os benefícios da utilização do curral em diferentes aspectos, primeiramente o tratamento aos animais é racionalizado, de forma que sejam reduzidas ou eliminadas as lesões. Outro ponto é a segurança do manejador e do rebanho, que por estarem calmos, apresenta a redução ou extinção de acidentes. Após o manejo com níveis mínimos de estresse, o animal tende a se reidratar e se alimentar de maneira antecipada, não perdendo peso, garantindo a viabilidade produtiva. A redução nos níveis de estresse do animal em manejos pré-abate permite que a qualidade da carcaça seja aumentada, uma vez que animais muito estressados liberam hormônios que alteram fatores físico-químicos da carne, fazendo que a textura, sabor e cor sejam alteradas, podendo ser recusadas pelo consumidor, além de acelerar o processo de deterioração.
Propriedades que adotaram o manejo racional por meio do curral antiestresse podem receber selos e certificados, que agregam valor ao produto, ampliando os nichos do mercado, tendo novos consumidores e consequentemente novas oportunidades de lucratividade.
O custo-benefício é favorável ao pecuarista. A implantação do curral antiestresse e do manejo racional favorecem a curto e médio prazo o investimento inicial, de forma que há aumento da produtividade, redução de manutenção de cercas e tábuas (fruto de tentativas de evasão de animais estressados e assustados), redução de mão de obra, diminuição no tempo de manejo e valorização do produto.



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