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Análise de Amido fecal em bovinos confinados

05Mai / 2015

Análise de Amido fecal em bovinos confinados

Com a intensificação dos sistemas de produção da carne bovina brasileira, o número de animais confinados vem crescendo anualmente. Segundo a ANUALPEC (2012), 3.876.350 bovinos foram confinados no Brasil, número este revertido para 4.672.543 em 2014. Concomitantemente, a inclusão de ingredientes concentrados na dieta desses animais também está em expansão, por fatores como:

-Taxas de ganho mais alta e um acabamento mais rápido;
-Menor consumo de massa seca, o que melhora a conversão e eficiência alimentar;
-Menor custo e facilidade de logística.

Dos nutrientes existentes neste tipo de dieta, o amido é o maior componente e o que fornece a maior quantidade de energia digestível consumida pelos bovinos. Então, a avaliação da perda de amido pelas fezes dos animais pode ser uma solução barata e prática para se detectar problemas de manejo e digestibilidade. A digestibilidade do amido pode variar de diversas maneiras, principalmente com o tipo de grão do cereal e o processamento do mesmo.

Um levantamento de dados realizado por Oliveira e Millen (2014), consultou 33 nutricionais de confinamentos, e reportou que o milho é o principal grão utilizado nas dietas com 87,5% e que o tipo de grão mais usado, com 96,5%, é do tipo Flint, ou duro, seguido do milho dentado com 3,5%

De acordo com Michalet Dorean (1999) o milho Flint apresenta 46,2% menos área de superfície de contato do que o milho dentado, o que diminuiu sua área de exposição e a colonização das bactérias que o degradarão, reduzindo a digestibilidade e consequentemente aumentando as perdas de amido fecal. Por essa razão, é importante escolher um tipo de processamento do grão que otimize a ação da população microbiana, elevando a digestibilidade, diminuindo os teores de amido fecal e otimizando sua produção.

O milho moído é um dos processamentos mais utilizados e com alta digestibilidade (90%). Existem outros processamentos como a floculação e a laminação a vapor com digestibilidades de 98,9% e 92,2%, respectivamente; porém o custo de processar é mais elevado. (ZEOULA E CALDAS NETO,2001)

Em um experimento realizado por Caetano (2008), em que avaliou-se o efeito do grupo genético (Nelore Puro e Cruzado com Angus) e período de coleta de fezes (manhã e tarde) no teor de amido fecal na dieta de bovinos confinados, concluiu-se que o maior teor de amido fecal está no período da manhã, com 7,5%, em relação ao período vespertino (3,7%). Em relação ao grupo genético, os zebuínos apresentaram teor de amido fecal 28% maior que os cruzados, devendo-se ao fato de que talvez animais zebuínos são mais sensíveis a dietas com altos teores, o que pode acarretar em distúrbios metabólicos. Desta forma, o teor de amido fecal pode se elevar, já que a degradação do amido no trato digestivo de animais Zebuínos ficará comprometida. 

Para a utilização do teor de amido fecal como parâmetros de manejo, o horário de coleta deve ser padronizado e animais de raças diferentes devem ser comparadas separadamente. Os teores de amido fecal são avaliados em laboratórios especializados e está à disposição do produtor que controla sua produção de maneira rígida e correta, fornecendo meios para monitorar seu empreendimento de forma prática, segura e barata, ajudando a alcançar melhores índices produtivos.

Assim sendo, quanto menor o teor de amido fecal em bovinos confinados, significa que o milho está sendo bem aproveitado pelo animal. O ideal seria que teor de amido fecal não ultrapassasse 3%, sendo aceitável valores de até 10%.

Laís de Aquino Tomaz
Graduanda em Zootecnia
Diretora de recursos humanos do Grupo NERU/NELL
UNESP - Dracena

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