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Uso de Pectina para Bovinos de Corte

22Jun / 2016

Uso de Pectina para Bovinos de Corte

A pectina é um polissacarídeo ramificado constituído principalmente de polímeros de ácido galacturônico, raminose, arabinose e galactose, unidos entre si por ligações glicosídicas. Ele é um dos principais constituintes da parede da célula de vegetais produtores de sementes, importante componente presente na lamela média, e devido a suas ramificações tem um grande poder de aprisionamento de água, desempenham também a função de cimentação intercelular e atuam de forma conjunta com a celulose e hemicelulose. Mesmo sendo encontrados na parede celular dos vegetais, esse produto é considerado carboidrato não fibroso e seu uso vem crescendo cada vez mais por ser um coproduto.

A pectina é extraída da polpa de frutas, tais como: frutas cítricas, pêra, pêssego e maçã. É encontrada em grande quantidade no estado de São Paulo a polpa cítrica por existir uma grande produção de laranja nesse local. Por ser um coproduto, a polpa cítrica (rica em pectina) é encontrada em preço mais barato no mercado. Devido a esse fator vários trabalhos e produtores de bovinos vem substituindo parte do concentrado pela pectina, por ser mais barata, também por ser um carboidrato não fibroso e não apresentar tantas mudanças em variáveis de desempenho animal como ganho de peso, ingestão de matéria seca, peso de carcaça quente e rendimento de carcaça. Quando se usa mais de 50% de pectina em toda a dieta deve-se tomar cuidado, pois pode acontecer de cair a deposição de gordura na carne devido a seu teor energético ser baixo em relação ao milho por exemplo, não suprindo a necessidade do animal em fazer a deposição da gordura; também pode acontecer de baixar o consumo do animal, pois a pectina apresenta grande quantidade de cálcio, se tornando não palatável, fazendo assim com que caia o consumo. Em estudos, os usos mais comuns são da substituição de até 30% na dieta total, podendo também substituir 50% do milho, para que a pectina seja vantajosa.

Além de ser mais barata também apresenta outras vantagens, como não abaixar o pH do rúmen como o milho, devido a não produzir ácido lático no processo fermentativo, e também por ser presente na parede celular, este carboidrato é fermentado pelas bactéria fibrolíticas, as quais trabalham em pH mais alcalino. Portanto, a pectina também diminui a produção do lactato e propionato (relacionado a produção e energia), porém aumenta a produção de acetato (relacionado a gordura). Por isso, quanto mais pectina é usada menor é a energia disponível para o boi em forma de glicose.

Um fator negativo em relação a pectina é que ela reduz o consumo, como dito anteriormente, se a inclusão máxima de 30% não for respeitada, pois a polpa cítrica, por exemplo, retém muita água, fazendo assim com que o boi se sinta “satisfeito” e diminua o consumo.

Pode se dizer então que se usada em quantidades corretas que são a substituição do milho em até 50% e tendo um total de 30% de pectina em toda a dieta, esta pode trazer diversas vantagens, pois além de ser mais barata traz diversos benefícios aos bois, não alterando o desempenho animal.

 

Breno Demartini
Graduando em Zootecnia
FCAT – UNESP Dracena

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