Autores: Gianluca Elmi Chagas Santos Natalha Silva de Oliveira Rafael Melo de Mendonça
Você, produtor rural, conhece os melhores cuidados para os bovinos em período de gestação? Durante a gestação, a nutrição materna é fundamental no desenvolvimento do feto e da placenta e o estudo dos estímulos maternos nesse período é conhecido como programação fetal, que é um excelente meio de garantir melhores condições às matrizes. Em consequência disso, é possível também oferecer diversos benefícios aos bezerros, como ganho de peso e aumento da qualidade da carcaça. Venha descobrir um pouco mais sobre a programação fetal e como essa prática se insere na pecuária atual e pode ser considerada promissora na bovinocultura!
O que é a programação fetal?
Inicialmente, é muito importante compreender que a programação fetal se refere à nutrição materna realizada durante a gestação, fornecendo uma alimentação adequada durante esse período crítico, para promover o aumento da qualidade da carcaça, peso do animal e marmoreio. A programação fetal pode ser chamada também como programação do desenvolvimento, sendo necessário compreender como se dá o desenvolvimento do feto e a influência da nutrição durante as etapas de crescimento.
De acordo com Santos (2019), entre o primeiro e o quinto mês da gestação em bovinos, ocorre o desenvolvimento, vascularização e crescimento placentário, e supõe que há forte relação entre o crescimento do sistema vascular útero-placenta e o ganho de peso do bezerro nos últimos três meses de gestação. Vale ressaltar que é ideal que as matrizes não sofram com restrições nutricionais que possam prejudicar o feto nos períodos iniciais, pois caso o feto não seja nutrido de maneira adequada no início, pode resultar num menor crescimento ao final da gestação.
Quais são os efeitos da programação fetal na prole?
Na maioria dos casos, os produtores se importam mais com o terço final da vida do animal, a qual apresenta maior desenvolvimento muscular e adiposo para sua terminação. No entanto, é preciso entender que o desenvolvimento fetal está diretamente relacionado a um bezerro com peso nascido relativamente maior, consequentemente o seu desenvolvimento também será mais eficiente, além de levar em seus genes para as futuras gerações, pois se acarreta a fenômenos epigenéticos, onde as mudanças provocadas no indivíduo enquanto está se desenvolvendo dentro da vaca não são alterações na sequência de DNA, mas sim uma adaptação ao meio no qual está submetido, amplia condições para que possam se desenvolver de maneira acentuada ou não, de acordo com a nutrição recebida durante a fase fetal embrionária.
Alguns pesquisadores observaram que a aplicação da programação fetal num rebanho bovino pode resultar em diversos efeitos ao bezerro. Um dos principais efeitos observados foi que a nutrição durante a gestação pode refletir diretamente na reprodução, em que as novilhas nascidas de vacas que receberam suplementação durante a gestação apresentaram maior taxa de prenhez, por exemplo. Além disso, um estudo constatou que a programação fetal possibilitou um maior número de vacas que atingiram a maturidade sexual antes da primeira estação de monta quando a matriz foi suplementada no terço final da gestação.
Em machos, foi relatado que a má nutrição da matriz durante a gestação resulta em perdas de produtividade, menor ganho de peso, além de problemas no desenvolvimento dos testículos, que podem prejudicar a reprodução. Por fim, outro possível efeito da programação fetal é a possibilidade de melhor desenvolvimento de fibras musculares, de tecido adiposo e maior espessura da gordura da 12ª costela nos bovinos, conferindo melhor qualidade da carne.
A restrição nutricional durante a gravidez aumenta a necessidade e a ingestão de alimentos da prole, um instinto de sobrevivência. Animais que são nutricionalmente restritos durante a gravidez também desenvolvem comportamentos inibitórios e reativos. A suplementação materna durante a gestação aumenta a eficiência produtiva dos bezerros nascidos, principalmente nos sistemas intensivos de produção, com maior ganho de peso e menor idade de abate. Os mesmos estão preparados para metabolizar mais nutrientes da dieta, pois o pâncreas produz mais insulina e há mais receptores nas células-alvo para captação de glicose no sangue, potencializando o desempenho desses animais de programação funcional.



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