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Os efeitos da greve dos caminhoneiros sobre a agropecuária

10Mar / 2015

Os efeitos da greve dos caminhoneiros sobre a agropecuária

O transporte de cargas no Brasil é realizado em sua maioria sobre rodas. Embora o governo tente diversificar a matriz nacional do transporte, o modal rodoviário continuou a crescer no país segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). Esse fato deve-se a facilidade de se obter os meios de transporte, pois se compra o caminhão num dia, para no dia seguinte coloca-lo na estrada. Além disso, o Brasil não possui infraestrutura suficiente nas ferrovias e hidrovias para suportar o grande volume de cargas (Paulo Fleury - presidente do Instituto ILOS). Segundo o Instituto de Matemática e Estatística da Usp, 64% do transporte de cargas no Brasil é realizado por meio de rodovias. Resumindo: os caminhoneiros que transportam o Brasil.

Com o recente aumento do combustível e o antigo problema de estradas em péssimas condições, caminhoneiros fizeram greve nas principais rodovias do país. Eles fizeram protestos, bloqueios, e como resultado pararam quase todos os caminhões que transportam cargas. Sendo assim, esta situação atingiu todas as áreas do país. E a agropecuária foi atingida?

Com as paralisações nas estradas, houve, entre outros: falta de produtos em supermercados, falta de gasolina nos postos, falta de grãos, falta de animais para o funcionamento de frigoríficos, morte de animais por falta de ração, perda de frutas e legumes e até produtores sem conseguir comercializar o leite. Além disso, os preços de alguns produtos de consumo primário, como carne e leite, começaram a subir, uma vez que a oferta diminuiu. A região mais afetada foi o Sul do Brasil, porém todas as regiões do país sofreram com a greve.

A empresa Aurora Alimentos, maior cooperativa de alimentos do país, correu o risco de ter que interromper totalmente sua produção, o que deixaria mais de 23 mil funcionários parados. O presidente da cooperativa afirmou que não teria matéria-prima para que a fábrica funcionasse. Da mesma maneira, a JBS informou que paralisou oito unidades na região sul por falta de matéria-prima. No Mato Grosso, frigoríficos registraram mais de R$ 100 milhões em prejuízo. Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Luiz Freitas, a situação se tornou extremamente delicada: “as carretas vazias não chegavam aos frigoríficos para a realização de novos carregamentos, bem como caminhões que transportam animais não chegavam às propriedades para buscar os animais para abate”.

Além disso, durante o período da greve, tornou-se comum o fato de produtores de leite jogarem toda sua produção no lixo, uma vez que a maioria não dispunha de caminhão de leite próprio, e dependia dos caminhões dos laticínios para realizarem tal tarefa. Muitos produtores diziam que o leite descartado não poderia nem ser doado por este não ser pasteurizado.

O governo tentou entrar em acordo com os caminhoneiros, e a presidente Dilma sancionou, sem vetos, a Lei dos Caminhoneiros. No entanto, alguns bloqueios nas estradas do país persistiam mesmo depois da medida. Assim sendo, até quando as empresas, o agronegócio, a agropecuária e os consumidores sentirão os efeitos dessa greve? Quantos milhões já foram e estão sendo perdidos pelas empresas e produtores? E o pequeno produtor, o qual já enfrenta diversos outros problemas, até quando aguentará derramar seu leite ou não abater seu boi?

O brasileiro está entre os povos que mais pagam impostos no mundo, porém parece que estes impostos não são revertidos em investimentos para benefício da população em geral, tais como: ferrovias, hidrovias, as quais ajudariam a evitar que os produtores e empresas rurais do Brasil ficassem reféns apenas de um meio de transporte para escoar e comercializar seus produtos.

Ana Carolina Janssen Pinto
Aluna de graduação - Zootecnia
UNESP - Campus Dracena

 

 

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