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Manejo higiênico-sanitário em vacas de leite desde a entrada da ordenha até a saída. Evite a mastite!

29Set / 2016

Manejo higiênico-sanitário em vacas de leite desde a entrada da ordenha até a saída. Evite a mastite!

A mastite ocasiona modificações patológicas no tecido glandular e uma série de alterações físicas e químicas do leite (FREITAS et al., 2005). Causa prejuízos econômicos, ocasionados pela redução da produção e alteração dos principais componentes do leite. Além disso, ocorre diminuição da vida produtiva dos animais, comprometendo os quartos mamários (DOMINGUES et al., 1999). A enfermidade manifesta-se de duas formas, clínica e subclínica. A primeira possui sinais evidentes da sua manifestação e a segunda exige exames complementares para sua percepção. Também é subdividida de acordo com o tipo de agente causador, contagiosa e ambiental (TYLER; CULLOR, 2006).

A ordenha é o momento mais importante da atividade leiteira, por constituir uma medida de controle da mastite e possibilitar a melhoria da qualidade do leite (SILVA; ARAÚJO, 2008; NOGUEIRA, et al., 2009). Seja qual for o sistema utilizado, o objetivo principal é que os tetos estejam limpos e secos quando forem ordenhados. Desta forma, segue abaixo as etapas para uma ordenha de acordo com as medidas higiênico-sanitárias para rebanhos leiteiros:

- Planejar e estabelecer  a linha de ordenha,  entrando 1º as primíparas sem mastite, 2º multíparas que nunca tiveram mastite, 3º vacas que já tiveram mastite (curadas), 4º vacas com mastite subclínica e 5º vacas com mastite clinica.

- Treinar o funcionário, a higiene pessoal é essencial para assegurar a qualidade do leite, manter maquinários e equipamentos limpos.

- Limpar e lavar os tetos, para remover sujeiras e micro-organismos ambientais encontrados em lodo e esterco. Limpar e lavar somente os tetos, nunca lavar o úbere, pois há o risco da água descer durante a ordenha e cair nas teteiras, contaminando o leite, além  da limpeza, ajuda a estimular a descida do leite.

- Teste da caneca de fundo preto para diagnóstico de mastite clínica, o qual consiste em retirar os primeiros jatos, de todos os tetos, de todas as vacas, de todas as ordenhas, para identificar a presença de grumos, pus ou sangue, e em caso de diagnóstico (+), utilizar de antibióticos (após a ordenha), nunca na sala de ordenha, para a vaca não criar uma memória de que ir para a sala de ordenha é doloroso. Limpar a caneca para prosseguir, e ordenhar esse animal por último em um latão separado para o descarte do leite. Secar corretamente a vaca, com anti-mastítico, e antibióticos, pois o período seco é extremamente importante, já que nesse período pode-se entrar com antibióticos de maior período de carência, e o fato de parar de ordenhar a vaca, ajuda na regressão dos alvéolos e ductos para a nova lactação. Utilizar de antibiogramas para avaliar a eficácia dos medicamentos no rebanho. É recomendável rotacionar antibióticos, vacas com mastite subclínica não se trata com antibióticos normalmente.

- Teste de CCS, CMT ou Raquete, pelo menos 2x/mês, o qual consiste na coleta de 2ml de leite de cada um dos tetos em cada compartimento da raquete, na qual adiciona-se a solução CMT (2 ml), faz-se movimentos circulares, e realiza a leitura (NEGATIVO (-) 100.000 CCS/ml de leite, não há formação de gel na mistura do leite com a solução CMT, TRAÇO [falso positivo] 300.000 CCS/ml de leite, há instantânea formação de gel na solução, desaparecendo muito rápido, não há alteração na consistência da solução, FRACAMENTE POSITIVO (+) 900.000 CCS/ml de leite, há rápida formação de gel no centro da solução, que desaparece em seguida, há uma leve alteração na consistência da solução, POSITIVO (++) 2.700.000 CCS/ml de leite, há formação de gel bem visível na solução, tendendo a ficar mais fraca se continuar agitando, há alteração na consistência da solução, FORTEMENTE POSITIVO (+++) 8.100.000 CCS/ml de leite, há forte formação de gel na solução, não desaparecendo após algum tempo, há forte alteração na consistência da mistura).

- Aplicar o pré-dipping (Imersão dos tetos em solução desinfetante, de 15 a 30 segundos), em todos os tetos, em todas as vacas, de todas as ordenhas. Usa-se solução de Iodo (0,25%), Solução de Cloro (0,2%) ou solução de Clorexidine (0,25%).

- Secar os tetos, principalmente as pontas, com papel toalha individual, não se recomenda toalha de pano.

- Colocar o conjunto de ordenha, ajustar o posicionamento das teteiras, regular o vácuo e o tempo, para não haver sub-ordenha ou sobre-ordenha, e lembrar de sempre cortar o vácuo antes de retirar o conjunto.

- Pós-dipping (Imersão dos tetos em solução glicerinada), no qual usa-se solução de Iodo (0,5%), solução de Clorexidine (0,5% a 1,0%) e solução de Cloro (0,3% a 0,5%). O pós-dipping é de extrema importância, após a ordenha o esfíncter mamário demora cerca de 30 minutos para se fechar, e o pós-dipping atua como um “selo” temporário nos tetos contra os micro-organismos causadores da mastite, além de manter os tetos suaves e flexíveis, diminuindo as possibilidades de “rachaduras” da pele.

- Alimentação após a ordenha. Logo na saída da ordenha, oferecer concentrado para as vacas, reduzindo a possibilidade das vacas deitarem, assim diminuindo as chances de micro-organismos aproveitarem do esfíncter ainda aberto.

A mastite é a doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira mundial. Além disso, é a principal causa de descarte de animais, sendo a prevenção e o tratamento desta enfermidade, responsáveis pela maior porcentagem do uso de antimicrobianos em rebanhos leiteiros (DELLALIBERA et al, 2011). Com isso, a utilização de um manejo higiênico-sanitário adequado, é essencial para redução dos casos de mastite, logo, obtém-se um produto de qualidade, há o aumento da produção leiteira, e o resultado é um maior retorno econômico para o produtor.

 

Leandro Dias Pinto
Graduando em Zootecnia
FCAT - UNESP Dracena

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