Manejo de Pastagens de duas cultivares de braquiárias: como não errar no manejo.

Manejo de Pastagens de duas cultivares de braquiárias: como não errar no manejo.

O pasto é o alimento para animais de menor custo e, por isso, a oferta de forragem ao longo de todo o ano é fundamental, e para que isso seja garantido o manejo de pastagens é um fator primordial neste processo. O manejo correto beneficia tanto a forrageira disponível, quanto o solo e melhora a saúde e a sustentabilidade do ecossistema; um pasto mal manejado pode ocasionar aparecimentos de plantas invasoras/daninhas, reduz o crescimento da planta forrageira e a qualidade nutricional.

O gênero Brachiaria apresenta cerca de 80 espécies, entretanto no Brasil poucas espécies são utilizadas; estão distribuídas principalmente em regiões de clima tropical e tem como origem primária a África. São as forrageiras mais utilizadas no país, sendo essas fornecidas na cria, recria e engorda dos animais e, se adaptam melhor as variadas condições climáticas e tipos de solo. Dentre as espécies mais utilizadas destacam-se a brizantha, decumbens e ruzizienses.

A Brachiaria brizantha é caracterizada pela alta produção de massa de forragem, resistência a cigarrinha, tolerante à altas temperaturas e a solos de média fertilidade. De entre várias variedades, podemos ressaltar a brizantha cv. BRS Paiaguás e brizantha spp. cv. Convert, forrageiras de alta produção, com exigências e manejo diferentes. O capim Paiaguás, foi desenvolvida pela Embrapa Gado de Corte em 2013, tendo como característica a alta relação folha/colmo e, por isso se destaca no acúmulo de massa nas estações secas do ano (EUCLIDES et al., 2016). A grande vantagem desta forrageira é apresentar grandes resultados, em relação a maior acúmulo de forragem de alto valor nutritivo.

Já o capim Convert (Capim Mulato II) híbrido de U. Decumbens e U. Ruzizienses, caracteriza-se por expressar alta produção em solos com pouca disponibilidade de água, ácido e de fertilidade baixa. Apresenta hábito de crescimento semidecumbente e semiereto, devido cruzamento submetido, pilosidades em abundância dando um aspecto aveludado, inflorescência hackes aladas e floretes claros.



Manejo

O manejo de pastagens vai depender da espécie de forrageira utilizada, devido as características morfológicas diferentes, como por exemplo, hábito de crescimento. O importante do manejo é não deixar faltar alimento (forragem disponível) para o animal e não deixar que a forrageira alongue colmo, por falta de bocados, perdendo o valor nutritivo da mesma.

Em um manejo rotativo podemos trabalhar com altura de entrada e saída dos animais, já em manejo sob lotação contínua devemos trabalhar com lotação, aumentando ou diminuindo de acordo com a altura do pasto. Para melhor representar na Figura 3 pode-se observar que o tom mais escuro da barra seria a faixa ótima de uso que possibilita melhores ganhos. A decisão no momento de colocar ou retirar os animais na área são norteados por valores para cada espécie forrageira. As faixas abaixo ou acima da linha já são inadequados, com forragem com menor valor nutritivo, além de comprometer a persistência do pasto, limitando o consumo e ganho de peso dos animais (Genro & Silveira, 2018).



 

O capim Paiaguás apresenta crescimento cespitoso, porte (altura) médio, média exigência de fertilidade do solo, alta tolerância à períodos secos, mas baixa resistência a frio e à cigarrinha das pastagens. Essa variedade, por apresentar rápido crescimento, deve-se manter atento ao manejo (altura de entrada e saída) para não perder a qualidade do capim e comprometer o sistema de produção. A altura de entrada recomendada do capim Paiaguás é de 35 cm e de saída 20 cm. Para se ter essa medida, utiliza-se uma régua e em seguida faz a coleta de 20 pontos dentro do piquete e depois a média de altura, obtendo assim a altura do dossel forrageiro.

O capim Convert apresenta crescimento semiereto semidecumbente, porte (altura) médio, fertilidade média a baixa, pouca tolerância ao frio, resistente à cigarrinha das pastagens. Esta variedade, apresenta um período de produção mais tardio em relação as outras, devendo se atentar ao tempo de ocupação caso o sistema for rotatíno, ou contínuo, atentar com a taxa de lotação. A altura de entrada recomendada é de 30 cm e de saída 15 cm, estudos realizados com alturas mais baixas, o capim Convert respondeu melhor em relação a taxa de rebrota. O ideal é manter a altura do capim dentro do recomendado, não exceder para que a forrageira não alongue colmo e produza menos folhas e deixar que o animal “rapar” o pasto.



Em experimento realizado por Castro (2022) foi comparada as cultivares Urochloa brizantha cv. BRS Paiaguás e Urochloa brizantha spp. cv. Convert e estudada a taxa de acúmulo de massa entre os meses X e Z (Figura 4). O capim-Paiaguás apresentou durante todo o período experimental, menor taxa de acúmulo de massa (março: 226 kg; abril: 121 kg; maio: 33 kg) quando comparado ao Convert (março: 637 kg; abril: 241 kg; maio: 57 kg), devido a falha do manejo ao pré-início do experimento onde a altura de entrada do capim Paiaguás (26,8 cm) estava abaixo do recomendado, realçando a importância do manejo adequado do pasto para manter a produtividade e qualidade do capim Paiaguás. Entretanto, apesar da grande diferença inicial de massa, na coleta de maio as produções quase se igualam como pode-se observar na Figura abaixo.



 

De forma geral, Castro (2022) concluiu que o Convert produziu mais massa, porém, apresentou maior variação produtiva do que o Paiaguás durante o período transição água/seca, podendo indicar que o Paiaguás tem maior resiliência ao pastejo contínuo devendo ser bem manejado antes do início da seca para que possa manter sua capacidade produtiva.

Medidas simples de manejo sendo feitas corretamente, irão sem dúvidas, proporcionar alimento de qualidade aos animais, manter o dossel forrageiro perene e reduzir custos com reformas de pastos.


 

Mayara Raimundo Castro1, Guilherme Adão Faleiros2, Adriana Luize Bocchi3

¹Discente de Zootecnia, Unidade Acadêmica de Ciências Agrárias, mrcastro@discente.ufj.edu.br

2Discente de Zootecnia, Unidade Acadêmica de Ciências Agrárias gui.ctl@discente.ufj.edu.br

3Docente do Curso de Zootecnia, Unidade Acadêmica de Ciências Agrárias adriana.bocchi@ufj.edu.br
 

Referências

Castro, M. R. PRODUÇÃO E QUALIDADE DA MASSA DE DUAS CULTIVARES DE Urochloa SOB PASTEJO CONTÍNUO NO PERÍODO DE TRANSIÇÃO ÁGUA/SECA Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Zootecnia, Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Jataí 2023. Disponível em: https://zootecnia.jatai.ufg.br/p/45312-relatorios-de-trabalho-de-conclusao-de-curso-2019-1-atual

Euclides, V. P. B.; Montagner, D. B.; Barbosa, R. A.; Valle, C. B.; Nantes, N. N. (2016). Animal performance and sward characteristics of two cultivars of Brachiaria brizantha (BRS Paiaguás and BRS Piatã). Revista Brasileira de Zootecnia, 45(3): 85-92. https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/153878/1/Animal-performance-and-sward-characteristics.pdf

GENRO, T. CM; SILVEIRA, MC T. da. Uso da altura para ajuste de carga em pastagens.

Bagé: Embrapa Pecuária Sul, 2018. 17 p. (Embrapa Pecuária Sul. Comunicado técnico, 101).

 

 

 

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