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Gestão de Pessoas na Pecuária de Corte

19Set / 2014

Gestão de Pessoas na Pecuária de Corte

 

Nos dias de hoje uma das principais queixas do pecuarista é a falta de mão de obra especializada e a alta rotatividade dos funcionários no campo, onde funcionários não ficam mais que um ano na mesma propriedade. Devido a essas dificuldades encontradas, a pergunta a ser feita é: será que o problema está mesmo na mão de obra ou na cadeia produtiva da pecuária? Tendo em vista que a mão de obra acaba sendo mais importante para o fazendeiro do que ao contrario. Nas fazendas em si é observada a eficiência de técnicos da área em manejo, nutrição, reprodução, porém, não há um olho mais clinico em relação à gestão de pessoas por parte dos produtores, sendo essa uma das áreas mais importantes, e que os mesmos acabam não dando muita atenção, colocando essa como última prioridade na propriedade.

 

Contudo, o fazendeiro pode possuir a melhor terra, plantel de gado, alta tecnologia, entretanto, se não possuir boa mão de obra para realizar as tarefas mais exigentes do dia a dia, todo seu investimento acaba sendo perdido. Assim, ao se questionar pecuaristas sobre qual é atualmente o seu maior patrimônio na fazenda, a grande maioria irá responder que são: seu plantel, suas máquinas, benfeitorias, entre outras, e acaba não enxergando que seu maior patrimônio é a sua equipe de funcionários, que sem eles a fazenda seria uma verdadeira desorganização. Outro grande entrave do campo em si é o êxodo rural, onde cada vez mais famílias estão saindo do meio rural e indo para a cidade com o objetivo de se obter vida melhor, porém, nem sempre é isso que acaba acontecendo, e quem acaba pagando por isso são os fazendeiros. Desta forma, grande maioria dos funcionários hoje em dia acaba por deixar, na realidade, seu chefe e não o trabalho propriamente dito, por isso, será que estão faltando “líderes de verdade” que saibam lidar com pessoas e as motive no emprego? A melhor maneira de reter talentos é ter líderes incríveis.

Na tentativa de solucionar esse grande problema no setor, é necessário mudar primeiramente os gestores, para que esses tenham ciência e domínio do trabalho realizado na propriedade para que possam cobrar melhoria na mão de obra. Tudo isso se deve ao fato de que uma pessoa (gestor, proprietário) só cobra que um funcionário faça um ótimo trabalho se ela realmente souber sobre o assunto. Entretanto, em nossa pecuária é observado que as pessoas com mais idade possuem grandes dificuldades de adaptações aos novos conceitos de gestão, processos e novas tecnologias e, além disso, os jovens recém inseridos na área, os quais muitas vezes tem maior entendimento dos entraves da pecuária, não querem residir na área rural e acabam buscando o conforto das cidades.

Então, a solução para se reter o funcionário no campo, seria primeiramente e de maior importância, atender as necessidades fisiológicas que acabam sendo obrigatórias para o pecuarista, sendo essas: boa moradia, água potável, saneamento básico, educação, atendimento médico e outros, mostrando que com ausências dessas é inviável a permanência na fazenda. Contudo, algumas pessoas experientes na área de gestão dizem que para segurar o homem no campo, é preciso primeiramente, segurar sua esposa e seus filhos, assim fornecendo essas condições, torna-se bem mais fácil lidar com os homens para que esses não queiram se demitir e continue com seu trabalho. Outra forma de melhoria seria a colocação de metas para cada funcionário dentro de seu respectivo setor e a partir dessa meta bonificar o funcionário, podendo ser: um ganho a mais no final do mês, dias de folga, utensílios domésticos ou até participações no lucro da fazenda. Porém, isso cabe a cada gestor estabelecer e adequar a melhor maneira em seu sistema, o qual é chamado de Meritocracia.

Essas benfeitorias levarão algum tempo a serem implantadas, mas outras coisas mais simples podem ser feitas, como até mesmo o reconhecimento do trabalho do funcionário; mostrando o quão importante ele é para a fazenda. Outras melhorias também podem ser realizadas, sendo:

- Formar gestores que cumpram suas funções de maneira eficaz e harmônica, sempre motivando suas equipes.
- Investir em cursos de capacitação com a finalidade de valorizar a sua equipe e atualizá-las em relação às técnicas de gestão, controles zootécnicos, sanidade, reprodução e nutrição.
- Treinamentos e metodologias que assegurem a saúde e bem estar dos trabalhadores.

Por fim, após todas as necessidades expostas, é clara a necessidade de conscientização dos profissionais ligados a essa cadeia produtiva da carne, mostrando que se a classe trabalhadora não possuir bem estar como as necessidades fisiológicas entre outras, como será o tratamento deste funcionário com o rebanho? Não serão os melhores e isso se encaixa em todo o trabalho do dia-a-dia, tendo a certeza de que um funcionário satisfeito com seu emprego, trará resultados muito melhores.
 

Lucas Cabarite de Oliveira
Graduando – Zootecnia
UNESP – Câmpus de Dracena

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