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Diferimento de pastagem uma alternativa para alimentar na época das secas

02Jun / 2016

Diferimento de pastagem uma alternativa para alimentar na época das secas

Ao longo do ano a produção de forragem oscila de acordo com as condições climáticas: pluviosidade, temperatura, radiação solar, etc. Por isso, um dos pontos a ser contemplados numa propriedade é o planejamento alimentar do rebanho para a estação seca ou inverno (Bolson et al.,2012), onde o manejo de pastagem deve ser levado com consideração para a utilização correta dos recursos forrageiros, com o objetivo de atender adequadamente a produção animal.

O significado do verbo diferir é “adiar”, desse modo o diferimento de pastagens, vedação ou produção de feno em pé pode ser entendido como uma estratégia de manejo que consiste em selecionar determinadas áreas da propriedade e excluí-las do pastejo, ocorrendo geralmente no fim do “período das águas”, como forma de garantir produção de forragem para ser pastejada durante o “período de seca”, minimizando os efeitos da sazonalidade de produção de forragem (Santos et al., 2009).  Conforme descrito no gráfico de Reis (2004) a produção de forragem na época das chuvas é maior devido a grande disponibilidade de água, mas ao longo dos meses essa disponibilidade é menor e confronta com um período onde os animais mais necessitam de massa, pois é quando as fêmeas que estavam na estação de monta se aproximam da parição e necessitam de alimentos para que possam chegar bem nutridas com um escore de condição corporal bom para a próxima estação de monta.

Martha Junior et al. (2003) sugeriram como regra prática efetuar a vedação da pastagem com cerca de 30 a 40 dias de antecedência da expressão do fator climático mais limitante ao crescimento da planta forrageira na região, como a ocorrência de baixas temperaturas mínimas e a baixa pluviosidade. A época em que o pasto será vedado tem relação diretamente proporcional à quantidade e qualidade da matéria seca (MS) produzida, e estrutura, que afetam o consumo e o desempenho dos animais. Pastagens diferidas por longo período possuem alta produção de MS, de baixo valor nutritivo. Por outro lado, menor período de diferimento pode determinar baixa produção de MS por unidade de área.

Esta técnica requer especial atenção do pecuarista em sua adoção, devido ao longo período de rebrota ao qual a planta forrageira é submetida, atentando para o ponto ideal de utilização, visto que o grande acúmulo de massa pode levar ao tombamento da planta devido sua altura, dificultando a desfolha e, consequentemente, baixo aproveitamento do material acumulado (Bolson et al.,2012).

Normalmente, pastos diferidos possuem grande quantidade de forragem, porém de baixa qualidade, que é denominada popularmente como “macega”. Contudo, a produtividade de forragem em pastagens diferidas varia em função das ações de manejo empregadas antes do período de diferimento. As variações climáticas entre anos para uma mesma região também provocam diferenças significativas em produção de forragem.

As melhores espécies forrageiras para o diferimento, já determinadas em pesquisa, em ordem decrescente são: a Brachiaria decumbens e o Braquiarão, as gramas do gênero Cynodon (Coastcross, Tifton 85) e o Panicum maximum cv Tanzânia. Estas espécies forrageiras apresentam algumas características morfológicas e fisiológicas que favorecem o seu uso em pastejo diferido: maior proporção de folhas em relação a talos, talos finos (as Braquiárias e o Cynodon) e florescimento tardio (no caso do Tanzânia e do Braquiarão) ou não florescem (Cynodon spp).

De acordo com Souza (2014), a principal vantagem da técnica do diferimento de pastagem é de que com a elevada disponibilidade de forragem, o animal seleciona partes mais nutritivas do pasto, resultando em níveis mais elevados de desempenho, porém, o diferimento de pasto é uma opção para reservar forragem para o período de seca, constituindo ainda uma salvaguarda conservativa, garantindo sementeamento, fortalecimento das reservas nutritivas e sistema radicular para o período de rebrota pós-dormência. Ainda segundo Souza (2014), o diferimento é uma técnica de baixo investimento, com custos mínimos, bastando apenas cercar a área e realizar o descanso. Essa estratégia de manejo por dispensar os investimentos de elevado custo, normalmente associada com a conservação de forragens (máquinas, implementos e estruturas de armazenagem), tem, nos custos de produção reduzidos, sua principal vantagem.

 

Anderson Augusto dos Santos
Graduando em Zootecnia
FCAT – UNESP Dracena

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