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Confinamento "Expresso"

09Out / 2015

Confinamento "Expresso"

Para atender a demanda mundial de carne bovina em 2050, que deverá ser quatro vezes maior que a atual, o efetivo do rebanho mundial de 1,5 bilhões de cabeças deverá aumentar em torno de 100% e o número de animais abatidos triplicar. Desse modo, haverá aumento de produtividade, expresso em 50% da taxa de desfrute. A produção mundial de carne bovina, hoje estimada em 60 milhões de toneladas/ano deverá aumentar para 84 milhões de toneladas nos próximos 20 anos. Uma vez limitadas as áreas de expansão da agropecuária, o aumento da produção de carne se dará por meio da intensificação dos sistemas. (REIS, 2011).

A intensificação na utilização das pastagens torna-se vantajoso, pois permite diluir os custos fixos por meio do aumento na taxa de lotação e redução no tempo de abate. O manejo intensivo, associado à adubação, suplementação estratégica e potencial genético animal, representam as práticas que promovem maior produtividade em sistemas de produção de bovinos em pastagens.

Neste sentido, a técnica de Confinamento Expresso® que promove a suplementação intensiva em pasto com ganhos semelhantes ao confinamento convencional, vem ganhando adeptos em todo o Brasil. Considerada como estratégia de engorda que permite terminar os animais mais jovens, sem possuir uma estrutura tradicional de um confinamento, este sistema utiliza a pastagem como fonte de volumoso, e o concentrado é fornecido nos cochos.

Para tanto, é necessário um correto planejamento das áreas de pastagens a serem diferidas para acúmulo de forragem que serão utilizadas no período de terminação, levando em consideração a espécie forrageira, o tempo de diferimento, época de terminação e estratégias de adubação nitrogenada; além de um espaço de armazenamento do(s) ingrediente(s) concentrado(s). O concentrado é composto por um núcleo proteico ao qual é acrescentado uma ou mais fontes energéticas, como milho, sorgo, casca de soja, etc.

Após o planejamento dietético formado, os animais são alocados nesta área de pasto, previamente vedada com fornecimento dos alimentos concentrados que podem variar de 1,2 a 2,0% do peso vivo dos animais. A taxa de lotação é determinada por meio da disponibilidade de forragem, tempo de permanência dos animais no sistema e quantidade de concentrado fornecido.

O confinamento expresso trabalha com prazo que varia de 60 a 90 dias, e cinco fases de alimentação, sendo três na adaptação, que chega a 15 dias. O concentrado é intenso, tem uma moagem mais simples, com 85% de NDT e milho duro. A taxa de lotação atinge 5,21 U.A. por hectare. Os suplementos utilizados abrangem características para os períodos de águas, transição e seca.

É importante lembrar que, as dietas utilizadas no confinamento expresso são conhecidas como “dietas de alto grão”, que se caracterizam por alta produção de ácidos graxos de cadeia curta, e consequentemente provoca queda no pH ruminal, o que pode acarretar em distúrbios metabólicos como a acidose. Neste caso, é importante um tamponamento adequado da dieta para que evite-se quedas bruscas de pH, e uma das principais alternativas é a inclusão de aditivos na dieta como os ionóforos e os tamponantes.

É imprescindível que se faça prévia adaptação dos animais de modo a prevenir problemas metabólicos. A adaptação pode variar entre 9 a 14 dias dependendo do nível de concentrado. Os ganhos de peso apresentados também são dependentes do:

- Nível de concentrado;

- Oferta de forragem;

- Potencial genético dos animais.

Genoveva Dias Knapp, proprietária da fazenda Cruzeiro em Morro Agudo/SP, está surpresa com os resultados alcançados em 2014:

Dos 650 animais abatidos, 330 foram terminados em confinamento expresso. A taxa de desfrute ultrapassou 40%, o ganho de peso diário chegou até 1,7 kg, a média de saída dos animais foi de 530 kg e o rendimento de carcaça bateu em 54%.

Laís de Aquino Tomaz
Graduanda em Zootecnia
FCAT – UNESP Dracena

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