Importância da Pesagem na Pecuária de Corte

11Jun / 2018

Importância da Pesagem na Pecuária de Corte

Introdução

            Hoje na pecuária os produtores rurais ainda hesitam em pesar o seu rebanho acreditando que com a utilização da visão treinada do funcionário a pesagem pode ser substituída, ou que simplesmente não existem vantagens em levar os animais para o curral somente para pesa-los.  Muitos não veem a necessidade de ter nas mãos essa importante ferramenta de controle, que é um dado primordial e necessário em todas as fases da criação.

            O pecuarista realiza as suas compras em unidades de peso. Compra sacas de 50 kg de milho, paga um valor no kg do bezerro, compra a poupa cítrica em toneladas e os ionóforos em gramas, a silagem em toneladas de matéria verde e colhem a forragem em toneladas por hectare de matéria seca. Sua venda ocorre em arrobas de peso de carcaça, que é o resultado da subtração de em torno de 50% do seu peso vivo. Apesar disto, não acham pertinente medir e acompanhar peso e o ganho de seu animal.

Com a pesagem do animal além de se obter o ganho de peso, é possível medir o potencial de produção da pastagem, crescimento do animal, saber o estoque animal na propriedade, levantar os indicadores econômicos e realizar a seleção para melhoramento genético.

 

Precocidade

Além do peso do animal contamos agora também com características de conformação, musculatura e precocidade. Estas características que estão sendo aprimoradas para a seleção genética na produção de carne.

O crescimento do animal na produção se expressa pelo seu ganho de peso e se resume em três partes: pré-puberdade, puberdade e maturação. Alguns autores descrevem como concepção, nascimento, puberdade e maturidade. A pré-puberdade é um momento de baixo crescimento, seguido da puberdade, onde é atingido o máximo de crescimento diário do animal, e por ultimo a maturidade, onde o animal tende a diminuir o seu ganho de peso, como observado na Figura 1.

 
 

Fonte. Milkpoint

 

 

 

Figura 1. Ganho de peso nas fases de crescimento do bovino.

A maturidade é o momento em que o animal deixa de depositar musculatura para depositar mais gordura, como visto na Figura 2. Neste estágio existe o acabamento da carcaça do animal, com os 4mm (ou 3mm, dependendo do frigorífico) de gordura subcutânea exigidos pelo comprador.

Figura 2. Dinâmica de deposição dos tecidos do corpo do bovino pós-natal. Adaptado de Boggs e Merkel (1993).

As raças bovinas são de diferentes frames (Figura 3), estes compostos pela estrutura e tamanho do animal a sua maturidade. Quanto maior o frame do animal mais tardio ele será, demorando em depositar o tecido gorduroso e dar acabamento na carcaça, logo, o animal de menor frame, por ser mais precoce, começa a depositar gordura mais cedo, conforme visto na Figura 4.

A precocidade foi uma das características que desenvolveu o mercado para a raça Angus no Brasil, que é um animal precoce de acabamento e e na puberdade, o que proporciona ao produtor a possibilidade de ter maior giro na produção de seu rebanho.

Figura 3. Classificação de algumas raças de bovinos  de acordo com o tamanho á maturidade e o grau  de musculatura. Adaptado de MINISH e FOX, (1982).

 
 

Fonte. Cursos CPT

 

 

 

Figura 4. Potencial de ganho de peso conforme a estrutura das raças bovinas.

Engordando animais mais precoces é possível se obter um giro de caixa maior, alternativa essa bem controversa à pecuária tradicional, em que se abatiam animais com mais de 4 anos de idade.

Existem alternativas que diminuem a curva de crescimento dos animais, entre elas está à castração, que com o achatamento da curva de crescimento o animal entra no estágio de maturidade mais rápido e com menos peso.

É importante que o animal seja abatido no momento certo, onde a deposição de músculo se estabiliza e aumenta a deposição do tecido gorduroso. A conversão alimentar do animal para deposição de gordura é menos eficiente que a muscular, sendo assim mais onerosa, não compensando engordar o animal nesta fase. Com o controle do peso nessa época o produtor economiza na diária e antecipa a receita da venda.

 

Habilidade materna

A habilidade materna, além de ser o cuidado e proteção da vaca com seu bezerro, é a capacidade da vaca de desmamar o bezerro no período certo o mais pesado possível. Esta habilidade está relacionada à sua produção de leite, e é uma característica de importante seleção genética dentro do rebanho.

É estritamente necessário ter o controle do peso do bezerro na hora do desmame e registrar a sua respectiva mãe, pois ele é o produto de receita da cria na fazenda. É o bezerro desmamado que paga as contas de todo o lote de vacas que entrou na estação de monta, e consequentemente, quanto maior a seleção para o peso do bezerro, maior a possibilidade de se obter uma margem positiva na operação cria.

 

Taxa de lotação

Atualmente a taxa de lotação animal é calculada de forma rústica, sem dados que comprovem que os animais terão o potencial de ganho de peso correto para a produção da forrageira contida na fazenda.

A taxa de lotação deve ser calculada na forma de peso vivo por hectare, tanto em cabeças por hectare como unidade animal (450kg). Com o consumo diário estimado, em torno de 4% do peso vivo, consegue-se uma estimativa de quantos animais a pastagem comporta, conforme a sua produção de massa, seja em pastejo contínuo ou rotacionado.

O ganho de peso médio diário é uma forma de se identificar se a taxa de lotação está adequada. A partir do momento que determinado lote de animais começa a baixar o ganho de peso diário, se identifica que a produção da forrageira está aquém do necessário e então se deve diminuir a taxa de lotação da pastagem, retirando parte ou todo o lote de animais.

O cálculo exato da taxa de lotação evita que aconteça sub ou super pastejo (Figura 5), que são causados pelo manejo inadequado dos animais acarretando na degradação da pastagem e posteriormente a degradação do solo (Figura 6).

 

Figura 5. Relação entre oferta de forragem e desempenho por animal e por área. Adaptado de Mott (1960).

 

 

Fonte A. varnderleimen.com

Fonte B. Grupo Prodap

Figura 6. A- Pastagem com sub e super pastejo. B- Pastagem sob severa degradação em função do manejo inadequado.

Conclusão

        A conscientização do produtor da importância de ter do rebanho todos os dados possíveis, datas, nascimentos, mortes, custos, peso de todas as categorias e demais registros e métricas do ambiente de produção é imprescindível.

Coletar esses dados, transforma-los em informação e traçar metas a serem atingidas para aumentar a produtividade, isso é pecuária de precisão!

 

Referências

ALBERTINI, Tiago Zanett et al. Manipulação da curva de crescimento para otimizar a produção de carne I. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), v. 91, p. 100.

DE LIMA SILVA, Fabiane et al. Curvas de crescimento em vacas de corte de diferentes tipos biológicos. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 46, n. 3, p. 262-271, 2011.

Minish, G. L. and D. G. Fox. 1982. Beef production and management, 2nd ed. Reston. VA: Reston Publishing Company. 470p.

MOTT, G. O. et al. Grazing pressure and the measurement of pasture production. Grazing pressure and the measurement of pasture production., 1960.

SILVA, Juliana da. Frequências de alimentação sobre o comportamento ingestivo, digestibilidade do amido e flutuação de consumo em bovinos Nelore confinados.  Dissertação (Mestrado em Ciência Animal). Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas, Dracena - SP, 41p. 2014.

Gustavo Trivelin

Zootecnista - Coimma

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