CURRAL - Mocinho ou Vilão?

05Jun / 2015

CURRAL - Mocinho ou Vilão?

Por menor ou mais extensa que seja uma propriedade rural destinada à bovinocultura, existe um lugar onde todo o rebanho, inquestionavelmente, tem que passar: o curral. Seja em período de campanha de vacinação, desmama, apartação, manejo reprodutivo ou em qualquer atividade com os animais, o curral é local mais indicado e correto para tal prática.

O Curral, é o local em que deveria ser propício para o conforto e comodidade do homem e dos animais durante o manejo, evitando assim lesões e estresse do rebanho. Contudo, não é bem assim que acontece em boa parte do país. É comum encontrarmos estruturas construídas de forma amadora, sem nenhum conhecimento técnico de manejo.

Esse tipo de construção esconde verdadeiras armadilhas que podem causar grandes prejuízos ao pecuarista, uma vez que o alto índice de lesões em currais compromete muito o desempenho produtivo do animal e qualidade da carne no frigorífico, gerando, consequentemente perdas econômicas.

Isso acontecia e acontece, porque os procedimentos de bem-estar animal e humano não era uma prática popularmente conhecida pelos produtores. Quanto aos currais, em sua grande maioria eram construções feitas sem nenhum planejamento de local, posicionamento, dimensionamento e funcionalidade.

Historicamente os currais eram construídos com madeira de lei oriundas ali mesmo da região onde seriam montados, seguindo um conceito de quanto mais grosso fossem os palanques (mancos/mourões) e tábuas, melhor seria o curral. Outra prática comum era a cópia de currais dos vizinhos ou conhecidos. Porém o manejo, o volume e a atividade pecuária eram diferentes e nem sempre esses aspectos eram analisados.

Com o passar dos anos a madeira foi ficando escassa em algumas regiões e os pecuaristas passaram a usar, em grande parte, madeiras de origem amazônica. Porém isso elevou os custos dependendo da localização para onde a madeira fosse transportada, além do problema da legalização da mesma. Surgiu então o uso de materiais alternativos: cordoalha; tubos de aço; concreto; madeira tratada, entre outros.

 

Modelo de Curral

Juntamente com estes materiais alternativos, veio a cultura do bem-estar animal, com currais projetados para propiciar ao homem e ao animal um manejo racionalizado, com baixo número de pessoas dentro da estrutura, plantas elaboradas para facilitar o trabalho diário, construídas de acordo com a quantidade de animais na propriedade e instaladas em pontos estratégicos para diminuir o percurso dos animais até o centro de manejo. Além de possuir estruturas com pontos de água, áreas para descanso e reserva de animais, embarcadouros projetados para facilitar a chegada e saída do rebanho, equipados com Troncos de Contenção e Balanças. Dentre todos esses itens, cada um tem sua importância como explicado abaixo:

• LOCALIZAÇÃO: Quanto mais centralizado for o centro de manejo, melhor. Pois quanto menor for o percurso que os animais fizerem, menor será o estresse e o desgaste. Isso interfere diretamente no ganho de peso, pois quanto menos andar menos energia o gado queimará. O ideal é que se construa corredores de acesso, isso facilita o manejo dentro da propriedade. Preferencialmente, escolha um local com nível mais alto que o terreno em geral, caso isso não seja possível, o ideal é que o local seja aterrado até que o nível fique mais alto que as áreas adjacentes.

• TAMANHO: Nos novos conceitos e projetos, o curral em si está bem reduzido, são construídos centros de manejos bem dimensionados conforme o rebanho da propriedade, equipado com Tronco (brete) e Balança de boa qualidade e muitas Remangas (piquetes em torno do curral, com cochos com água) permitindo assim, que o rebanho seja levado do pasto até o curral em grande quantidade e que estes fiquem em reserva se alimentando e se hidratando. Possibilitando assim, que após o manejo, os animais também possam ficar em um local com comida e água até que retornem para seus pastos de origem.

• TRONCO COLETIVO: Seguindo o conceito de manejo racional, este deve ser construído em curva para facilitar o manejo, pois os animais acreditam estar indo para uma saída, facilitando o manejo sem agredir o bovino. O piso deve ser construído em concreto e é necessária a construção de uma passarela ao longo do tronco coletivo, assim torna se mais fácil conduzir o animal dentro do curral. As paredes laterais devem ser todas fechadas, pois com isso o animal sempre vai querer seguir em frente em busca de uma saída, agilizando o seu manejo.

• COBERTURA: A cobertura é importante para a proteção dos produtos veterinários (vacinas e outros produtos utilizados), bem como a proteção dos equipamentos ali utilizados (tronco, balança, microscópio, equipamentos de informática, etc.). Visa também auxiliar no conforto dos trabalhadores durante as atividades. Deve ser projetada para proteger toda área de serviço e embarcador.

• EMBARCADOR: Por ser um local onde ocorrem muitas contusões e lesões de carcaça, recomenda-se que o embarcador tenha paredes fechadas, rampa de acesso antiderrapante e, no final, uma plataforma em nível e ajustável à altura do caminhão. Além disso, deve-se construir uma passarela ao longo do embarcador, para facilitar o manejo, e uma porteira de correr ao final do mesmo, para evitar que seja usada a porta da gaiola boiadeira, que por muitas vezes é solta sobre a lombar dos animais causando enormes lesões nas partes nobres do animal.

• TREINAMENTO: Mesmo que a estrutura do curral esteja dentro do conceito atualmente utilizado, equipado com os melhores equipamentos, não significa que o manejo será totalmente eficiente e produtivo. Um dos fatores mais importantes nesse momento é a conscientização e treinamento dos funcionários e gerentes da propriedade para que eles atuem de acordo com as melhores práticas do manejo racional e bem-estar animal. Com tudo funcionando bem, os resultados são rápidos e visíveis: animais menos estressados; baixo índice de contusões e lesões de carcaça; maior produtividade em ganho de peso e rendimento de carcaça; e consequentemente melhor rendimento frigorífico.

Existe no mercado nacional vários profissionais que estão aptos a realizar estes treinamentos, e pode ter certeza que o resultado econômico é bem maior que o investimento. Os treinamentos devem levar em conta aspectos do comportamento e da estrutura biológica dos bovinos, com isso, após o treinamento os peões passam a conhecer o comportamento dos animais facilitando assim seu manejo e não havendo mais a necessidade de agressões físicas e correria dentro do curral, ou seja, eles passam a trabalhar nas condições dos animais e não na condição do homem.

Carlos Gonçalves
Supervisor de Vendas da Coimma
Redenção – PA

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