Bud Box, é um modelo que substitui a seringa na recepção e condução dos animais até o tronco coletivo. Criada por Bud Willians, a Bud Box é responsável por facilitar o manejo e melhorar o fluxo do gado no curral por possibilitar que o manejador trabalhe utilizando ao seu favor o instinto dos animais, o que faz total diferença no manejo.
Possui formato retangular e instalação relativamente simples e barata, além de haver a possibilidade de ser adaptada para implantação em currais já prontos. Porém, o bom funcionamento depende do layout correto e do treinamento do manejador.
Antes de entrar na Bud Box, os animais passam pela pré-Bud Box, com o mesmo formato retangular, apenas separada por uma porteira. Pelo fato de o gado ter comportamento de se deslocar em linha reta, a passagem entre os compartimentos é natural. Após os animais adentrarem a Bud Box, fecha-se a porteira. O manejador deve se posicionar na lateral que está a entrada do brete coletivo, evitando ficar atrás dos animais. Como bovinos tendem a ir e voltar pelo mesmo caminho, ao percorrerem toda a extensão da Bud Box e perceberem que a passagem está fechada pela porteira, acessam o tronco coletivo que no momento é o único local aberto. Caso aconteça de os animais ficarem muito agitados e resistir entrar no brete coletivo, é necessário que o manejador recue e se reposicione para recomeçar o trabalho.
A Bud Box foi idealizada inicialmente com 9 metros de comprimento por 4,5 metros de largura e o compartimento pré-Box podendo ser mais comprido, porém mais estreito (3,5 metros de largura), utilizando como argumento o fato de os animais preferirem se moverem de lugares mais estreitos para mais amplos, o que por se tratar de um manejo cujo abastecimento de animais é contínuo, melhora a fluidez e impede que os animais passem muito tempo presos no curral, reduzindo os níveis de estresse.
As dimensões do sistema dependem diretamente do número e tamanho dos animais, em caso de animais grandes ou número de animais acima do ideal por exemplo, o manejador pode entrar na chamada “zona de fuga” do bovino, que pode se tornar reativo e dificultar o andamento do manejo. Quanto menor o espaço disponível, maior a pressão sobre o gado, que de acordo com a raça e temperamento, poderá se voltar contra o manejador, se aglomerar nas laterais correndo risco de se lesionarem e pisotearem, e até mesmo fugirem do curral.
Adriane Zart, especialista no manejo Nada Nas Mãos, citou em entrevista com na Revista DBO que decidiu fazer alterações nas dimensões do compartimento pré Bud Box, ampliando a largura de 3,5 para 6 metros e comprimento de 12 metros, para que os animais sentissem maior conforto. Segundo Adriane, o fato de os animais partirem de um ambiente maior para um menor não prejudicou o andamento do manejo, pelo contrário, disse que os animais adentraram mais calmos a Bud Box, justamente pelo aumento nas dimensões e maior conforto proporcionado.

Arte: Edson Alves
Fonte: Revista DBO maio/2020
Para que o funcionamento da Bud Box seja efetivo, é necessário que alguns detalhes recebam atenção, como por exemplo, a porteira. Originalmente, é fechada, sem vãos livres, porque nos Estados Unidos as porteiras são de metal e mais leves que no Brasil, onde predominam as porteiras de madeira. Sendo assim, é recomendado que para evitar o excesso de peso, sejam mantidos os vãos, porém é restritamente necessário que abra na direção do compartimento pré Bud Box, contra o fluxo do gado, a fim de facilitar o fechamento após a entrada dos animais.
O trinco da porteira deve ser posicionado na lateral da instalação que se encontra a entrada do corredor, porque dessa maneira, o manejador consegue fechar e se dirigir com agilidade à sua posição para que direcione os animais tranquilamente. É fundamental que exista duas porteiras para fluxo do manejador, seja para acelerar a circulação entre os pontos de manejo ou para que saia em segurança em caso de risco.
Já no brete coletivo, para evitar que os animais retornem a Box é implantado o sistema popularmente conhecido como anti-ré (stop back). Assim que o animal entra no corredor, empurra o dispositivo com a cabeça, que libera a passagem, retornando à posição inicial após a passagem do bovino, travando e impedindo que ele recue.

Fonte: Revista DBO maio/2020
O funcionamento do dispositivo depende do local que será instalado. Caso fique perto demais da entrada da Box, os animais podem recusar entrar no corredor, e se ficar muito distante dificulta que o manejador da Box conduza os animais, pois precisará percorrer maior distância, aumentando assim o tempo de lida e dificultando todo o manejo.
É possível que os animais apresentem certa resistência nos primeiros manejos realizados, que conforme manejados será reduzida. Caso a dificuldade para introduzir os animais no brete coletivo se mantenha, é importante elevar a altura do dispositivo anti-ré, permitindo que os animais se acostumem aos poucos.
No final do brete coletivo, é instalada a porteira de transição, afunilando as passagens para o tronco individual. A porteira é fixada paralelamente entre as laterais do brete coletivo. Quando um dos animais passa em direção ao tronco individual, a porteira é deslocada para um dos lados bloqueando a passagem dos animais do outro lado do brete. Quando o último animal libera a passagem, a porteira é acionada e libera os animais que estavam bloqueados do outro lado.

Fonte: Revista DBO maio/2020
A última etapa do manejo é a contenção do gado no tronco individual, que ao utilizar um equipamento de qualidade e equipe bem treinada, melhora ainda mais o bem-estar do animal e qualidade da sua carcaça. Animais manejados em troncos que promovem uma contenção adequada, com painel móvel e pescoceiras emborrachadas, por exemplo, têm menor probabilidade de serem acometidos por hematomas na carcaça, abcessos vacinais e até mesmo ter a qualidade de sua carne ser afetada por hormônios liberados pelo estresse. 
Tronco de contenção Americano, COIMMA.
Dessa maneira, o investimento de implantar na sua propriedade o curral Bud Box, aliado a um tronco de contenção de qualidade e capacitação de equipe, é recompensado pelo aumento na velocidade do manejo e na qualidade do produto final. O fluxo de animais calmos, proporciona um manejo mais ágil com um quadro reduzido de funcionários, evitando desgaste da estrutura e da equipe, diminuindo custo de mão de obra e depreciação na propriedade.
Com o desenvolvimento de tecnologias que facilitem o manejo, sendo com novos modelos de estruturas e novas práticas de manejo, trabalhamos em conjunto para termos uma pecuária mais eficiente e lucrativa.
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