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Bem-Estar animal e Qualidade de Carne

12Mai / 2014

Bem-Estar animal e Qualidade de Carne

Com o crescente e exigente mercado consumidor de carne bovina, garantias para que não haja sofrimento desnecessário dos animais estão sendo cada vez mais cobradas. O Brasil detém o maior rebanho comercial do mundo com aproximadamente 200 milhões de cabeças de gado e é o maior exportador de carne bovina, com 1.650 toneladas de carne exportada em 2011 (IBGE, 2011). Para manter-se nesse cenário, é fundamental uma produção de qualidade e para isso, legislações estão sendo adotadas exigindo técnicas de abate humanitário em animais, visando o bem-estar.

Conforme a Instrução Normativa nº 03 de 17/01/2000 do MAPA, o abate humanitário, pode ser definido com o conjunto de técnicas que garantem o bem-estar dos animais desde o embarque no estabelecimento rural até a operação de sangria na indústria frigorífica e englobam cinco manejos principais: Nutricional, Ambiental, Sanitário, Comportamental e Psicológico.

O bem-estar é um estado de um dado organismo para se ajustar ao ambiente. Relaciona-se com a saúde física e mental, garantindo um conforto necessário para tal organismo desempenhar suas funções vitais (CHIQUITELLI NETO, 2005). Caso esses procedimentos não ocorram de maneira correta, e o animal vir a passar por qualquer tipo de estresse, a ocorrência de prejuízos é inevitável, com consequente queda de produção e vendas devido à redução da qualidade final do produto: a carne

O estresse crônico, sofrido pelo animal mal manejado, pode causar um problema na carne chamado DFD, sigla originada devido a carne se apresentar escura (em inglês: “dark”), dura (em inglês: “firm”) e ressecada (em inglês: “dry”). Isso ocorre, porque o estresse prolongado faz com que o ser vivo consuma as reservas de glicogênio e de ácido lático do músculo, tecido que irá originar a carne, e portanto, o produto resultante desse processo terá o pH elevado (pH > 5,8), o que irá reduzir a validade do mesmo, além de apresentar características pouco apresentáveis devido sua cor escura e sua alta capacidade de retenção de água. Já o estresse no pré-abate vai acelerar a glicólise e aumentar a produção de ácido lático. O acúmulo rápido de ácido lático e a consequente queda do pH no músculo causará a desnaturação das proteínas produzindo, assim, uma perda na capacidade de retenção de água da carne. Essa carne ficará pálida, flácida e exsudativa (liberando água), fenômeno conhecido como PSE (Pale, Soft, Exudative).

Portanto, é de fundamental importância que os produtores e empresas se atentem às novas legislações que visam beneficiar não somente a sociedade como também a qualidade de vida dos animais.

Laís Tomaz e Raiza Vaz
UNESP-Dracena

E você, amigo pecuarista, o que tem feito para reduzir o estresse dos animais na engorda e no pré-abate? Divida suas experiências conosco.

 

 

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