Blog

Acidose ruminal em bovinos de corte

15Mai / 2017

Acidose ruminal em bovinos de corte

Por definição, acidose é o decréscimo de excesso de bases nos fluídos corporais em relação à quantidade de ácidos (STEDMAN. 1982). A acidose ruminal é uma alteração aguda ou crônica que se dá devido à ingestão excessiva de carboidratos facilmente fermentáveis, sendo problema frequente em ruminantes com dietas ricas em concentrados (OWENS et al., 1998).

O processo de acidose começa quando o ruminante consome grandes quantidades de amido ou de carboidratos prontamente fermentescíveis, o que dá início a mudanças severas no rúmen, as quais resultam em mudanças sistêmicas. A hidrólise do amido leva ao aumento da concentração de glicose ruminal, a qual normalmente é muito baixa, até o ponto em que esta excede a concentração de glicose sanguínea (GALYEAN e RIVERA., 2003).

Essa glicose ruminal gera ambiente propício para a rápida reprodução de microrganismos produtores de lactato, principalmente o Streptococcus bovis. Isto aumenta da osmolaridade do rúmen, o que reduz a absorção dos ácidos graxos de cadeia curta pela parede ruminal, o que colabora com o processo de acidificação ruminal (OWENS et al., 1998).

Quando o animal se alimenta de uma dieta rica em fibra, há maior produção de ácido acético, o qual é precursor da gordura. Já numa dieta rica em concentrado há maior produção de ácido propiônico, o qual é responsável pela produção de glicose.

Quanto maior a concentração de ácido propiônico no rúmen, mais baixo fica o pH ruminal, além de haver predominância das bactérias gram-positivas (Streptococcus bovis) que são produtoras de ácido lático ocorrendo a acidose aguda, mais comumente encontrada em bovinos de corte por estarem em uma dieta rica em carboidratos fermentáveis (MACEDO et al., 2010).

O lactato apresenta menor pKa (constante de dissociação) e, portanto, maior força que ácidos graxos de cadeia curta comumente produzidos no rúmen, o qual promove maior efeito na redução do pH ruminal (DAWSON et al., 1997). A mudança de dietas a base de forragens para ricas em grãos, sem a devida adaptação destrói a flora microbiana normal e precipita o aparecimento da acidose (OWENS et al., 1998).

A capacidade individual de bovinos de corte em adaptar-se a desafios metabólicos de dietas com alta concentração de grãos facilmente fermentáveis é variável.

As bactérias que fermentam glicose em lactato (Streptococcus bovis e Lactobacillus spp.) são insensíveis ao baixo pH, porém, as bactérias utilizadoras de lactato (Selenomonas ruminantium, Anaerovibrio spp., Megasphaera elsdenii e Propionibacterium spp.) são sensíveis ao pH mais ácido (OWENS et al., 1998), o que leva ao grande acúmulo desse produto no rúmen quando o pH do rúmen atinge valores menores que 5,6 (DILORENZO. 2004).

Quando essa faixa de pH é atingida, ocorre grande morte de bactérias amilolíticas e celulolíticas as quais seriam as responsáveis pela digestão da proteínas, fibras e carboidratos não estruturais, o que pode levar a redução na digestibilidade desses nutrientes no trato digestivo como um todo. O pH tem um papel primordial na manutenção de uma fermentação ruminal equilibrada. A manutenção do pH ruminal dependente de três fatores: da produção de ácidos graxos de cadeia curta no rúmen, da capacidade de tamponamento do meio, e da sua eliminação pelo fluxo e absorção intestinal (CALSAMIGLIA e FERRET, 2002).

A espécie Streptococcus bovis possui rápida taxa de crescimento (dobrando a população a cada 12 minutos em mudanças abruptas de dieta) e de degradação do amido (MCCLLISTER et al., 1990), o que proporciona grande aumento na produção de lactato. Assim, uma estratégia a ser considerada para a prevenção de acidose lática é conter o rápido crescimento deste microrganismo.

Entretanto, nota-se que o aumento populacional desse microrganismo, em resposta ao fornecimento de carboidratos prontamente fermentescíveis, acontece somente quando a adaptação gradativa não é realizada (PACHECO et al., 2012). Portanto, se bovinos forem gradualmente adaptados, o acúmulo de ácido lático é prevenido, no entanto, o pH ruminal poderá ainda permanecer baixo devido a maior produção de ácidos graxos de cadeia curta (NAGARAJA. 2003).

 

Anderson Augusto dos Santos
Graduando em Zootecnia
FCAT - UNESP Dracena

Comente:

Fundada em 1951, a COIMMA é hoje a maior fabricante de balanças e troncos da América Latina.Saiba Mais!