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Eficiência reprodutiva na Bovinocultura de Corte

17Set / 2015

Eficiência reprodutiva na Bovinocultura de Corte

A economia do setor agropecuário exige dos produtores maior eficiência produtiva, para que se mantenham na atividade. Entre os aspectos produtivos que devem ser trabalhados numa propriedade de gado de corte, a reprodução deve estar sempre em primeiro plano. De forma simplista, a eficiência reprodutiva pode ser caracterizada pela produção anual de um bezerro por cada matriz. Porém, esta meta esbarra no prolongado período de anestro pós-parto que vacas zebuínas normalmente apresentam (MENEGUETTI, 2006). A duração do anestro pós parto é influenciada principalmente por fatores como: balanço energético, presença do bezerro e número de partos. Influem também a raça, presença de touro, gemelaridade, distocia e retenção de placenta (YAVAS & WALTON, 2000).

O Balanço Energético Negativo reduz a disponibilidade de glicose e aumenta a mobilização de reservas corporais (BUTLER & SMITH, 1989). O metabolismo basal, crescimento e reservas de energia têm prioridade sobre processos reprodutivos, como o restabelecimento da ciclicidade e o estabelecimento e manutenção de nova gestação (SHORT et al., 1990). Segundo Perry et al. (1991), vacas multíparas que receberam menores níveis de energia no período pré parto tiveram maior intervalo entre o parto e atrasaram a primeira ovulação. Wiltbank et al. (1962) também encontraram menor taxa de concepção em vacas alimentadas com dietas de baixa energia no período pós-parto, assim como menor taxa de gestação ao final da estação de monta.

A condição corporal das fêmeas bovinas é importantíssima para eficiência reprodutiva, em que muitos estudos sobre reprodução de bovinos no pós-parto indicam que a condição corporal (CC) é indicador da condição energética e ciclicidade (SHORT et al., 1990; RANDEL, 1990; SANTOS et al., 2004). Segundo Perry et al. (1991), em vacas que apresentavam adequada condição corporal ao parto, por terem recebido alta quantidade de energia no período pré-parto (150% da exigência energética), mas restrição alimentar no pós-parto (70% da exigência energética),algumas ovularam mais cedo no pós-parto, antes que perdessem muita condição corporal, porém o restante não ovulou. Na situação contrária, com baixos níveis energéticos pré-parto e altos níveis de energia no pós-parto, os animais apresentaram prolongamento do período de anestro, ovulando pela primeira vez apenas após terem recuperado o escore de condição corporal mais adequado (entre 3,00 e 3,50).

A prática da remoção de bezerros vem sendo usada desde o início da década de 70, sobretudo associada a programas de sincronização de cio. A remoção deve ser realizada por 48 horas e sempre associada com GnRH ou implantes de progestinas (WILLIAMS et al., 1983). Vilela et al. (1999) verificaram maiores taxas de ovulação e sincronização ao protocolo GnRH - PGF₂α- BE em vacas que sofreram remoção de bezerros por 48h (74,6 e 82,1 %) do que em vacas que não sofreram remoção de bezerros (52,1 e 54,8%), respectivamente.

Protocolos hormonais auxiliam na indução da ciclicidade e devido à sincronização da ovulação, permitem empregar o uso da inseminação artificial em tempo fixo (IATF), sem a necessidade de detecção do estro, o que facilita o manejo e otimiza o emprego desta biotecnologia. Yavas et al. (1999) demonstraram que o implante de progesterona em vacas de corte em anestro e com bezerro ao pé mantêm o padrão de crescimento dos folículos dominantes pós-parto similar ao observado em vacas que ciclam. Isto permite que estes folículos alcancem as fases finais de maturação, seguidas de pico de LH, ovulação, formação de corpo lúteo com duração e função normal (menor incidência de regressão prematura do mesmo). A técnica ainda permite que 50 a 60 % destes animais continuem ciclando normalmente (indução de ciclicidade). Vilela (2004) realizou IATF em vacas Nelore pós-parto usando o protocolo GnRH-PGF₂α -GnRH associado a duas remoções de bezerro (48h cada), e concluiu também que animais em anestro apresentaram melhor taxa de concepção a IATF em relação aos animais ciclando, independente do protocolo com ou sem o dispositivo de progesterona.

Portanto, estratégias para antecipar o retorno à ciclicidade pós-parto podem causar impacto benéfico aos sistemas de produção de bovinos de corte (Meneghetti e Vasconcelos, 2008) haja visto que a meta de se produzir um bezerro por ano/matriz será mais facilmente alcançada.

Leandro Dias Pinto
Graduando em Zootecnia
UNESP – Campus de Dracena

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