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Avaliação dos diferentes tipos de castração

28Ago / 2014

Avaliação dos diferentes tipos de castração

A pecuária de corte é para o Brasil, uma atividade de grande importância econômica, que vem a cada ano se consolidando como a principal potência mundial em produtos de origem animal (Gonçalvez, 2001).

A terminação de bovinos é feita habitualmente em pastagens, o que resulta, muitas vezes, em abate tardio. Sabe-se que a castração apresenta algumas vantagens relacionadas com o melhor manejo do gado, com a lucratividade do sistema e com a maior aceitação do produto pelo mercado (Chuba et al., 2013).

Bovinos inteiros, por apresentarem maior velocidade de ganho de peso e serem mais eficientes na transformação dos alimentos oferecidos em peso vivo, produzem cerca de 10% a mais de peso do que os castrados. Entretanto, estas vantagens perdem valor comercial, principalmente, em função da deficiência no grau de acabamento, que possui relevante importância nas carcaças para a preservação da qualidade da carne durante as primeiras horas de resfriamento (estabelecimento do rigor mortis), que é diretamente afetado pela castração, que auxilia no aumento da camada de gordura, preservando qualidade e o aspecto da carne e da carcaça. Isto justifica, em parte, o desconto que os frigoríficos costumam impor sobre o valor pago no abate de animais inteiros (EMBRAPA, 1997).

Atualmente existem 3 métodos de castração:

1 – Imunocastração: estimula o sistema imunológico do animal a produzir anticorpos específicos contra o fator liberador de gonadotrofinas (GnRF ou GnRH), inibindo temporariamente a produção de testosterona;
2- Angiotripsia (mais conhecida como mecânica): a circulação para o testículo é interrompida com auxílio de um “alicate emasculador”, causando atrofia do mesmo;
3- Cirúrgica: orquiepididectomia bilateral, ou seja, retirada dos testículos utilizando anestesia local e podendo ou não ter ligadura do cordão com fio de sutura.

Assim é de grande importância saber qual método é mais viável, para proporcionar ações que permitam maior desfrute do rebanho, além de maior produção de carne, com o intuito de aumentar o rendimento econômico do produtor, a produtividade e a qualidade da carne.
Em um experimento avaliando os efeitos dos diferentes tipos de castração, Chuba et al. (2013) obteve os seguintes dados (Tabela 1):

Tabela 1. Peso Inicial, Peso Final, Ganho de Peso (GP) e Ganho Médio Diário (GMD) no período de 33 dias.

 


Classificação

Imunocastração

Cirúrgico

Mecânica

Controle
(não-castrados)
 
Peso Inicial (kg) 364,33 364,71 364,90 364,05
Peso final (kg) 403,52 a 386,90 b 392,47 b 399,67 a
Ganho de peso (kg) 39,19 a 22,19 b 27,57 b 35,62 a
Ganho médio diário 1,18 0,67 0,83 1,07

Médias seguidas de letras diferentes na mesma linha diferiram entre si pelo Teste de Tukey (P<0,05).

 

Pode-se concluir que houve perdas nas castrações Cirúrgicas e Mecânicas, e assim tiveram desempenho inferior aos animais não castrados (Controle) e aos animais Imunocastrados, tendo em vista que o desempenho destes foi semelhante aos animais não castrados. Assim, considerando o bem-estar animal e a necessidade de se ter melhor acabamento de gordura na carcaça para produzir um produto final com melhor qualidade e aceitação no mercado consumidor, a Imunocastração é uma excelente ferramenta.

 

João Victor Tino Dellaqua
Leandro Dias Pinto
Graduandos – Zootecnia
UNESP – Câmpus de Dracena
 

Esse texto elaborado pelos alunos do Núcleo de Estudos e Extensão em Bovinocultura de Corte (NERU) da UNESP – Campus de Dracena, está sendo publicado no mesmo dia em que o site BeefPoint, referência no setor, publica a repercussão da discussão com relação a produção de animais Castrados x Inteiros. Neste link, você pode conferir a matéria do portal sobre a produção de animais castrados no Uruguai. E neste outro link, você pode conferir debate sobre o assunto com vários produtores de gado e pessoas ligadas à indústria frigorífica.

No artigo acima, vimos que a Imunocastração é a mais eficiente, mas com relação à essa discussão de animais Castrados x Inteiros, o que você acha? Sabe-se que os animais inteiros tem ganho de peso cerca de 10% maior, por outro lado, a qualidade de carcaça e da carne dos animais castrados são muito superiores, contudo, pelos depoimentos dos produtores a indústria frigorifica não paga a mais por isso.

Na sua opinião, como esse assunto deve ser resolvido entre Produtores x Frigoríficos?

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