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Alta do boi gordo e escassez de chuvas devem aumentar quantidade de animais confinados em 2015

19Fev / 2015

Alta do boi gordo e escassez de chuvas devem aumentar quantidade de animais confinados em 2015

A redução dos rebanhos bovinos está ocorrendo de forma gradual a nível mundial. E isso afeta principalmente os países que mais exportam carne destes animais. Na Austrália, a MLA (Meat and Livestock Australia) contabilizou 26,8 milhões de cabeças de gado, com uma queda de 9% em relação ao ano de 2014. Na Argentina o rebanho conta com 51 milhões de cabeças, uma quantidade baixa para os padrões, já que o país está entre os maiores exportadores de carne bovina. Na União Europeia há uma estabilização, com 88 milhões de cabeças, mas com previsão de recuo de 2% durante o ano.

Nos EUA, apesar de ter ocorrido um aumento no rebanho, iniciando 2015 com 89,8 milhões de cabeças, 1,3 milhões acima do ano anterior que contava com 88,5 milhões de animais, o Departamento de Agricultura (USDA) afirma que estes são os menores índices dos últimos 63 anos.

No Brasil a oferta de gado para abate continua reduzida, e segundo José Vicente Ferraz, diretor técnico da Informa Economics FNP, a queda dos rebanhos é tendência mundial e deve chegar ao país.

Com a oferta reduzida de animais e tendo como agravante a seca que vem atingindo o país desde 2013, a estimativa é que o preço de bois e bezerros continue alto este ano. Outro fator importante que deve ser destacado é a valorização do dólar em relação ao Real, que está sendo cotado em torno de R$ 2,80, favorecendo assim a exportação.

Mesmo com o mercado favorável à comercialização de carne bovina, a redução de animais para abate e a escassez de chuvas prejudicam os produtores, principalmente os que adotam o sistema de criação extensivo, já que a falta d’água afeta diretamente as pastagens, fonte de alimento desses animais.

Outro fator que deve ser destacado é a queda da cotação de grãos, que são a principal fonte de alimento para animais confinados. Dados recentes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) mostram declínio no preço de cereais e óleos, facilitando sua compra pelos produtores.

Diante destas variáveis de preços entre o boi gordo e os grãos, e a crise hídrica, o esperado é que se ampliem as margens dos pecuaristas que utilizam o sistema intensivo de engorda de bovinos e aumento da quantidade de animais criados neste sistema em 2015, segundo as previsões do gerente-executivo da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Bruno Andrade.

Para Andrade, com as áreas de pastagens cada vez mais ameaçadas pela agricultura e a necessidade de ampliação da produção de carne bovina para atender a demanda externa crescente, o Brasil terá de investir em produtividade, e o confinamento é uma ferramenta eficiente, a qual evita que o mercado fique desabastecido e aumente demasiadamente o preço do produto final.

Gesualdi Jr. et al. (1999) afirmam que o confinamento é uma alternativa para melhorar os índices de produtividade, principalmente por reduzir a idade de abate. Neste sentido, com a atual viabilidade da compra de grãos, o pecuarista possui o cenário favorável para investir no sistema de confinamento, intensificando assim sua produtividade e maximizando sua rentabilidade.

Fontes: Folha de São Paulo; Valor Econômico; FAO

Alice Helena Peres
Aluno de graduação - Zootecnia
UNESP - Campus Dracena

 

 

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